quarta-feira, 18 de maio de 2016

Ser aluno

O terceiro texto fala como ser um aluno de sucesso, de que forma a família podem contribuir nessa empreitada e os anseios da escola.

                                                                                       SER ALUNO
                                  Rosângela silva ( artigo publicado na Revista  www.revistadavila.com.br)

Ser aluno é colocar-se na condição de aprendiz e isso é possível ocorrer muitas vezes,  todos os dias. Ninguém torna-se aluno apenas por sentar-se nos bancos  escolares. Se encontra na situação de aluno, a criança que observa a vó tecer um tapete, a outra que assiste a mãe fazer um bolo, o menino que vê o pai consertar o pneu, a garota que acompanha o irmão  jogar damas, um adulto que assiste à uma palestra on-line, uma pessoa que escuta uma entrevista no rádio. O  texto “Ser aluno” procura retratar o perfil do bom estudante e de que forma a família e  a escola podem colaborar para o seu sucesso.
 Para isso é preciso situá-lo no atual contexto social. Hoje vivemos uma sociedade com grande crise ética, política e social na qual os valores positivos e a capacidade de empatia e respeito estão em queda. A família também vive seus conflitos, assim como a escola.
Muitos pais parecem perdidos quanto ao seu papel, quanto ao que o filho pode ou não em cada fase que vive, quanto à forma melhor de educar, quanto ao modo de aplicar sanções, quanto à maneira de estabelecer regras.
Crianças e adolescentes cada vez mais hedonistas, mimados e centralizadores chegam às escolas, que muitas vezes também não sabem como lidar ou estabelecer seus limites.
 A escola, por sua vez,  espera que cheguem ao seu espaço em qualquer tempo que for, alunos que primeiramente saibam acatar comandos, regras e  respeitar autoridades. Cabe às famílias estabelecerem esse critério, para que seus filhos tenham dimensão de como agir  e viver adequadamente nesse espaço coletivo que necessita de ordem, regras  e respeito entre os que convivem.
Como chegar às escolas com esse preparo,  se muitas vezes os filhos tomam as decisões em casa, mandam e decidem conforme seu interesse próprio, sem ter consequências colocadas que os levem a aprender e amadurecer com os erros?
Escolas incentivam organização. Um aluno organizado tem vantagens sobre colegas que não possuem essa característica. E um adulto organizado começa a ser moldado em casa quando a a criança, guarda seus brinquedos, roupas e sapatos, quando um adolescente arruma sua cama e suas gavetas, por exemplo.
Professores alegram-se com alunos estudiosos e responsáveis com seus deveres. Estudar diariamente e fazer os deveres de casa  são atitudes que contribuem para o sucesso de qualquer estudante. Esse é um grande desafio para pais e escolas, pois a maioria das crianças e adolescentes têm dificuldade de cronometrar seu tempo e dividi-lo entre os estudos e o lazer. Especialmente os adolescentes, perdem-se diante da sedução dos aparelhos tecnológicos, que enfeitiçam e roubam tempo. Tempo que poderia ser melhor aproveitado, inclusive com propostas familiares de lazer mais atraentes e que levassem a garotada a sair do sedentarismo,  que certamente contribuiriam para um desenvolvimento mais saudável e completo.
Educadores sabem da importância da autonomia para  o sucesso escolar. As famílias podem contribuir com as escolas estimulando  as crianças  nesse aspecto. Desde cedo é muito importante que os pais não façam por seu filhos,  aquilo que já são capazes de realizar sozinhos. Assim, vão crescendo autônomos, capazes de agir e fazer as tarefas que lhe chegam, com mais independência. Diversas oportunidades de escolha podem ser dadas às crianças e  adolescentes para que treinem a capacidade de escolher por si mesmos e assim exercitarem momentos de autonomia.
Na escola, os mestres valorizam também a iniciativa, que é outro quesito importante que agrega sucesso aos estudantes. Aqueles que não necessitam de supervisão frequente, que são capazes de iniciar propostas, enfrentar desafios, agir espontaneamente  sobressaem-se sobre os demais estudantes. Os pais podem colaborar para que seus filhos sejam sujeitos mais prontos para realizar as tarefas, estimulando e elogiando suas iniciativas. Muitas vezes, até sem querer ou perceber os pais limitam o interesse e a iniciativa de seus filhos e isso poda a sua disponibilidade natural e o seu ânimo.
Alunos que iniciam propostas e são capazes de concluí-las também têm grande reconhecimento na escola. A procrastinação é hoje um dos grandes desafios dos professores na sala de aula, pois muitos alunos resistem, enrolam e vão deixando os compromissos para depois. Em casa, os pais ajudam muito, se cobrarem a finalização das tarefas, estabelecendo tempo e a forma adequada de execução. Crescendo assim, as crianças vão se sentindo confiantes, capazes e treinando a habilidade de realizar as tarefas que lhe são postas.
Para os professores a  conclusão e entrega pontual das tarefas credita ao aluno o respeito aos prazos e a capacidade de  corresponder às solicitações.
O fator atenção é um quesito importante na sala de aula. Grande parte dos alunos de hoje têm dificuldade de concentrar sua atenção nas aulas, sejam elas expositivas ou até mesmo práticas.
O acesso a milhares de informações do mundo interativo é positivo, porém, ao mesmo tempo dificulta a capacidade de atenção prolongada, o que resulta em estudantes agitados, impulsivos e bastante desatentos. O excesso de estímulos acaba saturando e impossibilitando o exercício da atenção.
Os espaços escolares clamam por alunos participativos, questionadores, que dão ideias e sugestões. Alunos assim,  enriquecem a sala de aula, engrandecem os conteúdos, ampliam as oportunidades de aprendizagem. Por isso, as famílias devem cuidar para que haja em suas casas espaço para perguntas, ideias, criações e formas diversas da criança participar da dinâmica das tarefas, dos projetos e da organização cotidiana.
Dessa habilidade forma-se o aluno que não leva dúvidas para casa, que levanta questões, que escava os conteúdos até chegar à compreensão do assunto.
 E a escola se agiganta  quando alunos compartilham os conhecimentos com os colegas e dividem o conteúdo que aprenderam. Essa  é uma habilidade importante que contribui para ambos os lados. De um lado o aluno ao explicar ou tirar dúvidas dos seus colegas, reforça ainda mais e amplia o seu próprio conhecimento. Já o colega que recebeu a informação pode se apropriar de algo que ignorava.
Crédito mesmo tem na escola o aluno esforçado. O esforço, o desejo de conquistar algo, a braveza para superar dificuldades e lacunas, também contam muito e diferenciam um aluno do outro.
Essa reflexão pretende compartilhar informações e  lista algumas habilidades pessoais que ajudam e levam o estudante a “tirar de letra” a  escola, sem a pretensão de padronizar pessoas, comportamentos ou conceitos.
Pessoas são singulares. Alunos são todos diferentes e chegam à escola cada um com suas características. De forma alguma deve-se esperar que cheguem formatados, prontos e robotizados.
Num mundo globalizado e tecnológico como esse, os alunos chegam à escola com muitos conhecimentos. Cabe à escola oferecer espaço para que eles reelaborem esses conhecimentos, façam ligações, vejam esses domínios sob novas perspectivas, com novas “aplicabilidades” e também possam empregar e produzir novas informações, criar novos conteúdos, passando de recebedores para produtores de cultura. Talvez seja esse um caminho para  envolver os alunos com a aprendizagem e fazê-los comprometerem-se com ela.

terça-feira, 19 de abril de 2016

SER PROFESSOR

O segundo texto “Ser professor” elenca o papel desse profissional nos tempos atuais. O terceiro texto “Ser aluno” coloca em pauta a necessidade de conhecer o perfil do aluno e suas necessidades. Por fim, o último texto “Ser família do estudante” discute a participação das famílias impulsionando o sucesso escolar das crianças e jovens.

                                                                              SER PROFESSOR

                             Rosângela silva ( artigo publicado na Revista  www.revistadavila.com.br)
Hoje no nosso segundo texto “Ser professor” o texto elenca o papel desse profissional nos tempos atuais. Peça norteadora do processo ensino-aprendizagem, o professor é o grande responsável pelo desenvolvimento e encaminhamento da sua turma. É ele quem planeja, entusiasma, articula ideias, escolhe metodologias, integra saberes e linguagens e tem o mapa de onde quer chegar.
Coragem, ousadia, criatividade e capacidade de inovação são quesitos importantíssimos para professores que querem fazer a diferença na vida de seus alunos, especialmente nos dias atuais em que os alunos esperam que tudo seja rápido, eficiente e funcional.
Como o conhecimento renova-se a cada dia e pode chegar até a se contradizer, tamanha rapidez das pesquisas, teorias e mudanças, o  professor precisa ser um aprendiz contínuo e um grande curioso. Aquele que na  área da educação (ou qualquer área) acredita já saber tudo ou já estar completamente pronto, pouco poderá ensinar aos  seus alunos, especialmente sobre humildade e capacidade de recriar-se .
Professor é mediador de aprendizagem, mas para que isso aconteça precisa conhecer seus alunos, saber um pouco dos seus gostos e preferências, seus interesses e sonhos.
Integrar conhecimentos é outra tarefa que cabe ao professor, juntando  os conteúdos, aproximando saberes, misturando assuntos que aparentemente são desconectados.
Ser ou não um bom professor depende da capacidade de entrega de cada profissional ao seu ofício. Há aqueles que ao adentrarem à sala de aula, entregam-se com tanto amor, dedicação e profissionalismo que não deixam para trás nenhum dos seus aprendizes. Caminham junto com eles e vão extraindo de cada um, aqueles saberes escondidos, rejeitados, desconsiderados e assim, vão impulsionando o conhecimento a brotar. Criam condições para seus alunos caminharem, removendo obstáculos, pegando atalhos, tirando pedras do caminho. São professores que abrem-se para o outro, dando significado às pessoas, à escola e à aprendizagem.
Estes não são apenas “dadores” de aula, são de fato educadores. Dar aulas é bem mais fácil do que ser professor. Dar aulas implica em planejar, organizar as estratégias e passar seu conhecimento. Ser professor é mergulhar nas profundezas do mar incerto e desafiador, que é a sala de aula, e ir se aprofundando, explorando, conhecendo de verdade aqueles que ali estão.
Numa sala de aula, repleta de pessoas diferentes, com valores, crenças, vontades, ritmos, ideias e sonhos pessoais confrontando-se e até chocando-se constantemente, cabe ao professor acolher essas diferenças. Ao mesmo tempo precisa integrar e misturar todas essas informações para extrair dessa mistura conhecimentos e aprendizagens para serem compartilhados entre  todos.
Ser professor é se deixar envolver por cada aluno, é indignar-se quando ele não corresponde, não quer avançar, rejeita “a comida” que se está oferecendo. É continuar insistindo, buscando e acreditando que haverá outro jeito, outra forma dele aceitar seu alimento, seu conhecimento.
Professor, ser responsável pela transformação social que todos sonhamos e que sabemos começar em casa e se solidificar nos bancos escolares.
Professor, ser admirável, que dá referências, que projeta, que desvenda mistérios, que provoca insights, que deve cercar-se de pensamento reflexivo e crítico sendo modelo  e fonte de inspiração ao seu aluno. E aqui, ouso plagiar a ideia de Rubem Alves de que o aluno quando admira seu mestre, faz seu coração dar ordens à inteligência para aprender as coisas que o mestre sabe. Saber o que o mestre  sabe, passa a ser uma forma de estar com ele. Aprende porque ama. Aprende porque admira.
Um bom professor é aquele que junta três saberes importantíssimos que o capacita para estar à frente da sala de aula. O primeiro  saber é domínio de seu conteúdo, sem esse conhecimento nenhum professor inspira, convence, causa espanto ou encantamento. Outro saber necessário  está ligado às práticas usadas em sala de aula. O uso de  eficientes e interessantes recursos metodológicos atrai, motiva  e aproxima o aluno da aprendizagem.  O terceiro saber trata da habilidade de relacionar-se. Tendo bom autoconhecimento e empatia o professor saberá lidar com os conflitos dando bom encaminhamento a eles, não se deixando atingir emocionalmente por situações que podem sabotar a sua aula. Esse quesito contribui para que o professor coloque-se no lugar do aluno, entenda suas motivações e possa atuar com inteligência e condição emocional positiva na resolução dos problemas.
 O reflexo  das mudanças da sociedade dos últimos tempos associado ao descaso dos governantes com a educação em nosso país tem como resultado o fato de que cada  vez mais chegam à sala de aula, professores mal formados, sem domínio do conteúdo que lecionam, escrevendo mal, inseguros quanto ao formato de sua aula, às vezes autoritários demais e em outras vezes frouxos com a disciplina. Também chegam duvidosos quanto aos recursos pedagógicos, às metodologias e às estratégias, sem saber por vezes, como e por onde começar. E tão grave quanto às dificuldades anteriores, chegam sem conhecerem a si mesmos, nem sua clientela e suas fases de desenvolvimento e motivações.
Todas essas defasagens vão dificultar o entrosamento e levam a uma ruptura grave de comunicação, que torna ineficiente a aprendizagem.
Somando-se a tudo isso, esses professores entram em contato nas salas de aula com a chamada “geração multitarefa” que se apresenta robotizada pela tecnologia, inquieta e com dificuldade de permanecer atenta, que muda rapidamente seu ponto de concentração, que não sabe esperar e deseja que tudo seja rápido, eficiente e prazeroso, que quer resultados, com pouco esforço, que tem pouca paciência e capacidade de contemplação. E mais, falta-lhe limite e educação vindos de casa.
Tem-se então um quadro caótico em que o professor acaba não dando conta de executar bem o seu trabalho,  sente-se sobrecarregado com tantas atribuições que lhe são dadas,  o que traz desmotivação, frustração e desânimo a uma boa parcela desses professores. Poucos encontram força na sua motivação pessoal para fazer a diferença.
SER PROFESSOR, ou melhor SER BOM PROFESSOR diante de tantas adversidades é o grande desafio. Conseguem ser bem sucedidos no ofício aqueles que de fato têm amor pela profissão e conseguem encontrar realização com os pequenos feitos diários.
Esses professores se alimentam da energia poderosa que vem das crianças e adolescentes, assim como da sua alegria, da sua vivacidade, da sua brincadeira despretensiosa, da criatividade que aflora de suas invenções, do riso e da gargalhada que contaminam e fazem dar graça àquilo tudo que o mundo adulto racionaliza.
Para terminar uma fala do grande professor, Paulo Freire, que com seu texto simples, quase nos dá a receita pronta de como  exercer a profissão: “É assim que venho tentando ser professor, assumindo minhas convicções, disponível ao saber, sensível à boniteza da prática educativa, instigado por seus desafios que não lhe permitem burocratizar-se, assumindo  minhas limitações, acompanhadas sempre do esforço de superá-las, limitações que não procuro esconder em nome mesmo do respeito que me tenho e aos educandos”.

sexta-feira, 18 de março de 2016

SER ESCOLA


O texto "SER ESCOLA" é o primeiro de uma  série de quatro textos que julgo sustentarem a rede de relações dentro do espaço escolar garantindo o entendimento das funções e atribuições de todos os envolvidos no processo ensino-aprendizagem. O primeiro texto “Ser escola” apresenta uma reflexão sobre as mudanças necessárias às escolas e a importância da coerência com sua proposta pedagógica. O segundo texto “Ser professor” elenca o papel desse profissional nos tempos atuais. O terceiro texto “Ser aluno” coloca em pauta a necessidade de conhecer o perfil do aluno e suas necessidades. Por fim, o último texto “Ser família do estudante” discute a participação das famílias impulsionando o sucesso escolar das crianças e jovens.

                                                                                   SER ESCOLA 

Rosângela silva ( artigo publicado na Revista  www.revistadavila.com.br)


Discutir qual é o verdadeiro papel da escola nessa sociedade em constante transformação e os meios para que ela promova o crescimento dos indivíduos de forma sensibilizadora e provocadora de mudanças que agreguem valores às relações através dos conhecimentos obtidos em seu espaço é um assunto relevante atualmente na área da educação.
Esse é um tema que envolve os educadores compromissados, preocupados em promover uma escola significativa na vida dos estudantes.
A sociedade muda constantemente e a escola que está inserida em seu meio também precisa mudar, pois tem papel essencial na construção de indivíduos críticos, atuantes e produtores de cultura.
No dia a dia, se faz necessário articular os tempos e espaços, explorando materiais diversos, trazendo as vivências para a sala de aula e os demais espaços, criando projetos que promovam situações de aprendizagem e que façam o aluno pensar e construir seu conhecimento na interação com seus pares.
Equalizar ritmos e condições de aprendizagem num espaço que agrega diferentes alunos é um outro grande desafio atualmente para as escolas. Ser uma boa escola é conseguir  lidar com o aluno que grita por aprendizagem com aquele que precisa de estímulos e impulsos o tempo todo.
As novas configurações sugerem novos modelos pedagógicos. É necessário que se construa uma escola com currículo moderno, com propostas que atendam às novas demandas, com um novo conceito de seu papel e função.
Longe de ser a única detentora do saber nos dias atuais, a escola precisa reformar sua crença de única fonte de conhecimento e buscar novas formas de preencher seu espaço modificando as relações entre os indivíduos e a aprendizagem.
De forma prática como ser uma escola com excelência em tempos modernos?
Comecemos pela elaboração da Proposta Pedagógica. Uma boa escola tem clara e definida a sua linha de trabalho, a sua identidade. A partir daí deve aproximar suas intenções e ações, estando sempre pautada no modelo pedagógico criado.
Agir em conformidade com sua proposta pedagógica é o que dá credibilidade a uma instituição de ensino. Uma bela proposta desarticulada das ações cotidianas é apenas um engodo, um disfarce, uma lista de palavras sem sentido real para o processo pedagógico.
A partir daí é preciso pensar em muitas questões…
Como está formatado o sistema de avaliação? Há coerência com o fazer pedagógico diário? Como se faz a recuperação? Como a recuperação é vista por todos os elementos envolvidos? Ela de fato pretende recuperar deficiências ou é apenas cumprimento de protocolo? Ela é realmente pensada e organizada para os alunos e suas dificuldades?
Como são organizados os projetos e eventos? Eles são temáticos? A estrutura deles é condizente com os ideais da instituição? Vai homenagear as mães? Qual ênfase vai ser dada? O formato escolhido está coerente com os princípios da escola e com a  motivação inicial da homenagem? Qual é o intuito da Festa Junina? E da formatura? E da festa de encerramento do ano letivo?
A relação com os pais é aberta? Eles são considerados dentro do processo? Há espaço para atendê-los? Sua opinião é considerada e estudada sem que haja ingerência? Vai fazer uma reunião com pais? Qual enfoque será dado? Qual abordagem inserir nessa conversa?
A metodologia e as ações didáticas estão alinhadas com a proposta da escola ou cada envolvido age em conformidade com suas ideias próprias, desconsiderando a engrenagem pedagógica da escola?
Como a escola vê as infrações cometidas pelos alunos e quais as sanções disciplinares previstas? As ações da escola acompanham os seus princípios de formação integral do estudante? As questões disciplinares são tratadas ou costumam passar sem a atenção dos profissionais? Há preocupação com o tratamento dos casos, visando a formação ética, emocional  e social das crianças  e adolescentes?
Como se faz o acompanhamento da produção escolar? Os materiais produzidos pelos alunos passam por avaliação? Há controle através de amostragens? A prática de assistir aulas é um recurso usado pela direção ou coordenação visando conhecer o “fazer pedagógico” da sala de aula e as ações da equipe? Há feedback frequente aos profissionais a partir das ocorrências cotidianas, visando aperfeiçoamento da equipe e fidelização à Proposta Pedagógica?
Há valorização da produção escolar dos alunos? Como se faz essa cobrança? Que incentivos são dados? Há preocupação em corrigir os materiais? Como isso é feito?
Como o erro é considerado? É visto como referência para o acerto? Uma boa escola costuma avaliar constantemente os erros e acertos promovendo reflexões, aprendendo, estudando os erros e comparando resultados.
Os planos de aula são elaborados e passam pelo acompanhamento da equipe gestora?  Essa avaliação é vista como um caminho de ampliação do autoconhecimento pessoal e profissional dos envolvidos no processo?
Perguntas… Muitas perguntas… Onde andarão as respostas?
Ser uma boa escola é dar encaminhamento aos problemas, acolher críticas e aprender com elas.
Ser uma boa escola é aprimorar metodologias de trabalho dando condições para que o aluno reflita sobre o seu conhecimento e faça-o ter sentido e se encaixar em sua vida.
Ser uma boa escola é atuar para um melhor aproveitamento dos alunos agregando conhecimento e cultura ao cotidiano escolar.
Não há fórmulas mágicas para uma escola estar no caminho da excelência. O certo é que sem trabalho atento, acolhedor, reflexivo, insistente e inovador de todos os envolvidos no processo  educacional não haverá colheita produtiva e nem safra generosa.

domingo, 9 de agosto de 2015

Um presente bem dado

      No dia seguinte à comemoração do seu aniversário a menina Ana Júlia se empolga com um quebra-cabeças de duzentas peças que ganhara da vó Lena. Avós normalmente dão presentes adoráveis aos seus netos.
      O dia estava frio e chuvoso, convidando  todos para o recolhimento. Dia preguiçoso, roupas confortáveis, cobertor no sofá, colchão jogado no chão, conversa rolando solta, risadas escancaradas.
Cenário propício para uma boa reunião de família, desta vez sem a distração dos celulares, já que estavam todos num local sem rede, sem conexão.
      Voltando ao presente da menina, ela e seu pai começaram a procura pelas peças  numa tarefa que duraria algumas horas.
     Sentada num canto comecei minha observação.
     Na mesa do centro o desenho de uma cena começava a esboçar. Pai e filha começaram a separar as peças por cores, alternando entre preencher o jogo e agrupar as peças.
     Após um tempo de tentativas, se afastam e de repente o quebra-cabeças chama a atenção de outra pessoa que senta, olha e começa a raciocinar na escolha das peças a serem colocadas. Um tempo ali quebrando a cabeça, várias peças encaixadas e uma pausa.
     Mais um tempo e um grupo se volta ao quebra-cabeças. Olham a cena que estava sendo composta e começam a maquinar novas tentativas de encaixe. Avançam na colocação das peças e saem dando lugar a outras pessoas. Os encaixes eram feitos por pessoas de todas as idades indo das crianças aos idosos.
Assim sucederam muitas jogadas. Pessoas olhavam, encaixavam peças e saíam.  E a cada jogada, novas peças davam origem à cena e a vontade de terminar ficou imensa.
     A chuva continuava. Agora o grupo todo se juntou. E foi uma grande corrente de energia que reuniu todos num único objetivo. Como cada um tinha ajudado na construção do jogo, agora todos se sentiam responsáveis por concluir a tarefa. 
     Quando a última peça foi colocada, a vibração foi bonita de se ver. Gritos, risos, abraços. Uma única torcida em prol da realização final.
     Fiquei observando, pensando e tirando dali muitas lições.
     Primeiro,  a lição da importância do brincar junto, da  interação, da troca de experiências.
     A segunda lição é do valor do trabalho em equipe. Quando um desistia, logo vinha outra pessoa e recomeçava o jogo. O jogo foi um elo que ligou a todos num único objetivo.
     Outra lição foi a da importância do foco. Mesmo alguns tendo se dispersado, o jogo manteve-se ali,  e ao passarem pela mesa a atenção voltava e com ela o desejo de terminar aquela história.
     Fico  a pensar que tudo isso só foi possível porque a vó Lena comprou um presente que permitiu toda essa interação e porque todos estavam distantes das redes, “em OFF para a tecnologia” e plugados apenas no interesse por terminar aquele jogo de quebra-cabeças.
     Que nos cerquemos que momentos assim!!!

Rosângela Silva

domingo, 21 de junho de 2015

Era uma vez... uma mãe recém-nascida


Há 15 anos atrás era uma “mãe recém-nascida”.
Muito assustada com essa vida que acabava de ganhar, pouco enxergava, mexia assustada com meu bebê, tocava com receio, engatinhava na arte de ser mãe... Levantava à noite e colocava  minha mão sobre seu nariz para checar se estava respirando, media a febre desnecessariamente, levava ao médico no primeiro espirro.
Os ruídos e choros me perturbavam, a amamentação era um misto de alegria e susto.
Tombos, sustos, doenças infantis, machucados, picadas me afligiam. Era uma “ mãe recém-nascida” e não sabia muito das coisas.
Era uma “mãe recém –nascida” para esse imenso papel cujas funções não acabariam nunca.
O tempo passou e tornei-me uma “mãe-criança”.
Já tinha descoberto muitas coisas e já arriscava dar uns passos de independência. Podia me distanciar um pouco da minha cria, podia deixá-la dormir na casa da avó, do pai, dos tios. Podia arriscar mais nas broncas, nas cobranças, ser mais firme nos limites. Sabia que mesmo assim, seu amor para comigo não deixaria de existir.
Mas ainda era uma mãe receosa, tinha muitos medos e não sabia  tantas coisas...
Hoje quando olho para trás e completo 15 anos no papel de mãe posso dizer que tenho cumprido minha missão, mas sei que sou uma “mãe-adolescente” nessa função. Estou debutando hoje junto com você,minha filha.
Embora já tenha debutado por três vezes, afinal já passei dos 45 anos, hoje estou aprendendo sobre atitudes opositivas, crises existenciais, busca da independência,  inseguranças e indefinições,emoções desequilibradas,  refúgios e isolamentos, inconformismos,  enfrentamentos, músicas em volume excessivo, portas batendo etc.
 Sei que  tenho que me preparar, pois ainda vêm muita coisa pela frente. Você vai virar adulta e em breve chegarão outras novas experimentações, descobertas, as saídas e viagens com os amigos, a faculdade, talvez longe dos meus olhos, o início de uma carreira profissional, os amores, os filhos.
Eu crescerei junto com você minha filha, assistindo na primeira fila e torcendo por seu sucesso. Rezando todas as manhãs para que seu dia seja abençoado, mesmo nem sempre estando perto para fazer o sinal da cruz em sua testa, como faço hoje todos os dias.
Hoje vou usar Nando Reis para falar do meu amor por você: “ Minha cor/ minha flor,
/minha cara/ Não sei se o mundo é bom/ mas ele ficou melhor/quando você chegou/ e perguntou/ Tem lugar pra mim?”
Te amo muito, mesmo nas contrariedades, não se esqueça disso: “Meu mundo ficou MUITO melhor depois da sua chegada!!!


domingo, 29 de março de 2015

“ Cadê aquela rodinha vermelha no rosto?”

                       

  Pensando nas relações entre as pessoas me deu vontade de escrever sobre as emoções que as permeiam.
     É fácil falar com as pessoas pelas telas dos celulares e computadores. Se por um lado parece que as pessoas estão escancarando mais seus sentimentos e desejos, usando os canais das redes sociais para desabafar e explicitar seus pensamentos, libertando-se de pudores e amarras, usando da liberdade de poder se expor, por outro lado, cada vez mais as pessoas podem esconder seus verdadeiros sentimentos, pois a tela não capta todas as reações emocionais e corporais que o “cara a cara” permite.
      Mentiras, enganações, xingamentos, ironias, insinuações, desrespeito são cada vez mais comuns nas relações virtuais e reais. Parece que todos estão ansiosos, impacientes, acelerados, cansados, sem tempo e vontade de dar explicações.
     Empenhados em ter seus desejos e vontades satisfeitos, as pessoas dedicam-se a ser felizes a qualquer custo: passando os outros para trás,  se colocando na frente para ter o destaque em detrimento do esforço alheio, trapaceando em projetos, plagiando ideias, terceirizando os filhos, estacionando em lugares preferenciais, mostrando esperteza em ações desrespeitosas no trânsito, tirando vantagens, praticando pequenas, médias e grandes formas de corrupção, que acreditam ser aceitáveis, e assim vai.
     Lidando com pessoas, vejo que a grande maioria, não se constrange mais com os erros, nem com os atrasos, pouco se importam com cobranças, ignoram procedimentos combinados, fazem acordos que são esquecidos, não concluem tarefas e afazeres da sua lista de serviços, demonstram não entender as cobranças, fingem-se de esquecidas, inventam desculpas infantis para serviços não realizados, enfim, culpam o tempo, as circunstâncias, os outros, por não darem conta de suas atribuições profissionais ou pessoais.
     Ficar embaraçado diante de cobranças e exigências é uma característica que tem se tornado rara entre os cidadãos.
     Enrubescer diante de erros e enganos é um ato que não temos visto com frequência.
     Corar e mostrar o rosto vermelho são atitudes pouco notadas, já que muitos se sentem necessitados de exigir seus direitos antes de cumprir seus deveres.
     Ficar sem graça e desconcertado parece ser coisa do passado, não cabe no tempo presente.
     Ficar com o rosto vermelho é um sinal que o corpo está reagindo à alguma situação difícil ou constrangedora com uma descarga de adrenalina, que acelera o ritmo cardíaco e respiratório, mandando mais sangue para o cérebro e os vasinhos por onde o sangue passa aumentam de tamanho provocando a vermelhidão. Explicação da ciência para a expressão popularmente chamada “vergonha na cara”.
     O lado bom dessa discussão é saber que pesquisadores da Califórnia, através de seus estudos, atestaram que  pessoas assim são mais generosas, cooperativas e confiáveis.
     Isso me fez pensar na educação que tive, nas orientações severas dos meus pais, na cobrança por ser correta sempre. Hoje adulta, ainda enrubesço, fico sem graça,  quando sou cobrada por algo não feito e que era da minha alçada, por esquecimentos que eram de minha responsabilidade, por omissões, deslizes ou  quando duvidam da minha palavra.
     Mesmo sabendo que esse tipo de constrangimento é considerado uma virtude por muitos, às vezes me sinto uma “estranha no ninho”. Parece que ser certa, agir corretamente, enfrentar as dificuldades com altivez e ser honesta são valores atribuídos a pessoas bobas, ingênuas e simplórias.
     Ainda hoje, muitas vezes, ouço o eco das palavras do meu pai a perguntar:“ __Cadê aquela rodinha vermelha no rosto?”
    Então, também pergunto: __Cadê?

                                                                                    Rosângela Silva





 


sábado, 24 de janeiro de 2015

Criança tem cada uma...


Aparentemente dois troncos de madeira, usados para sentar na varanda da casa...


Para o menino Bruno que está sendo alfabetizado, significa bem mais do que isso...
As letras brotaram conforme foi contornando o símbolo que estava gravado em sua memória.