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quinta-feira, 23 de junho de 2016

É pra você...

É para você
Inspirada na música Per Te - Jovanotti.

É para você que as pitangas amadurecem,
É para você que a lua fica bem cheia,
É para você todos os sonhos de todas as padarias,
É para você  a música “Ela só que paz”,
E a  cor de toda a maquiagem.
É para você o 19 de junho,
É para você que se criou o sushi,
É para você tudo que existe, NINANÁ, NINAIÊ.

É para você que às vezes venta mansinho,
É para você o sorriso dos amigos,
É para você as festas  e carinhos,
É para você o “vamos cheirar a noite”
É para você a cor do sol amanhecendo,
E os desenhos formados nas nuvens,
É para você o suco da laranja no café da manhã,
É para você o vermelho do molho do macarrão,
É para você tudo que existe, NINANÁ, NINAIÊ.

É para você o perfume das flores abertas,
É para você a vitrine decorada,
É para você o passeio no shopping,
E o cinema à tarde,
É para você o acordar tarde no sábado,
A poesia que sua mãe escreve,
É para você o domingo preguiçoso,
É para você a rua sem trânsito,
É para você tudo que existe, NINANÁ, NINAIÊ.


É para você o fazer e o refazer,
É para você a amoreira no quintal de casa,
É para você o tapete colorido de flores sob as árvores,

É para você que existem os temperos,
É para você que existe o sim e o não,
É para você o carinho da família,
É para você tudo que existe

NINANÁ, NINAIÊ...

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Ser aluno

O terceiro texto fala como ser um aluno de sucesso, de que forma a família podem contribuir nessa empreitada e os anseios da escola.

                                                                                       SER ALUNO
                                  Rosângela silva ( artigo publicado na Revista  www.revistadavila.com.br)

Ser aluno é colocar-se na condição de aprendiz e isso é possível ocorrer muitas vezes,  todos os dias. Ninguém torna-se aluno apenas por sentar-se nos bancos  escolares. Se encontra na situação de aluno, a criança que observa a vó tecer um tapete, a outra que assiste a mãe fazer um bolo, o menino que vê o pai consertar o pneu, a garota que acompanha o irmão  jogar damas, um adulto que assiste à uma palestra on-line, uma pessoa que escuta uma entrevista no rádio. O  texto “Ser aluno” procura retratar o perfil do bom estudante e de que forma a família e  a escola podem colaborar para o seu sucesso.
 Para isso é preciso situá-lo no atual contexto social. Hoje vivemos uma sociedade com grande crise ética, política e social na qual os valores positivos e a capacidade de empatia e respeito estão em queda. A família também vive seus conflitos, assim como a escola.
Muitos pais parecem perdidos quanto ao seu papel, quanto ao que o filho pode ou não em cada fase que vive, quanto à forma melhor de educar, quanto ao modo de aplicar sanções, quanto à maneira de estabelecer regras.
Crianças e adolescentes cada vez mais hedonistas, mimados e centralizadores chegam às escolas, que muitas vezes também não sabem como lidar ou estabelecer seus limites.
 A escola, por sua vez,  espera que cheguem ao seu espaço em qualquer tempo que for, alunos que primeiramente saibam acatar comandos, regras e  respeitar autoridades. Cabe às famílias estabelecerem esse critério, para que seus filhos tenham dimensão de como agir  e viver adequadamente nesse espaço coletivo que necessita de ordem, regras  e respeito entre os que convivem.
Como chegar às escolas com esse preparo,  se muitas vezes os filhos tomam as decisões em casa, mandam e decidem conforme seu interesse próprio, sem ter consequências colocadas que os levem a aprender e amadurecer com os erros?
Escolas incentivam organização. Um aluno organizado tem vantagens sobre colegas que não possuem essa característica. E um adulto organizado começa a ser moldado em casa quando a a criança, guarda seus brinquedos, roupas e sapatos, quando um adolescente arruma sua cama e suas gavetas, por exemplo.
Professores alegram-se com alunos estudiosos e responsáveis com seus deveres. Estudar diariamente e fazer os deveres de casa  são atitudes que contribuem para o sucesso de qualquer estudante. Esse é um grande desafio para pais e escolas, pois a maioria das crianças e adolescentes têm dificuldade de cronometrar seu tempo e dividi-lo entre os estudos e o lazer. Especialmente os adolescentes, perdem-se diante da sedução dos aparelhos tecnológicos, que enfeitiçam e roubam tempo. Tempo que poderia ser melhor aproveitado, inclusive com propostas familiares de lazer mais atraentes e que levassem a garotada a sair do sedentarismo,  que certamente contribuiriam para um desenvolvimento mais saudável e completo.
Educadores sabem da importância da autonomia para  o sucesso escolar. As famílias podem contribuir com as escolas estimulando  as crianças  nesse aspecto. Desde cedo é muito importante que os pais não façam por seu filhos,  aquilo que já são capazes de realizar sozinhos. Assim, vão crescendo autônomos, capazes de agir e fazer as tarefas que lhe chegam, com mais independência. Diversas oportunidades de escolha podem ser dadas às crianças e  adolescentes para que treinem a capacidade de escolher por si mesmos e assim exercitarem momentos de autonomia.
Na escola, os mestres valorizam também a iniciativa, que é outro quesito importante que agrega sucesso aos estudantes. Aqueles que não necessitam de supervisão frequente, que são capazes de iniciar propostas, enfrentar desafios, agir espontaneamente  sobressaem-se sobre os demais estudantes. Os pais podem colaborar para que seus filhos sejam sujeitos mais prontos para realizar as tarefas, estimulando e elogiando suas iniciativas. Muitas vezes, até sem querer ou perceber os pais limitam o interesse e a iniciativa de seus filhos e isso poda a sua disponibilidade natural e o seu ânimo.
Alunos que iniciam propostas e são capazes de concluí-las também têm grande reconhecimento na escola. A procrastinação é hoje um dos grandes desafios dos professores na sala de aula, pois muitos alunos resistem, enrolam e vão deixando os compromissos para depois. Em casa, os pais ajudam muito, se cobrarem a finalização das tarefas, estabelecendo tempo e a forma adequada de execução. Crescendo assim, as crianças vão se sentindo confiantes, capazes e treinando a habilidade de realizar as tarefas que lhe são postas.
Para os professores a  conclusão e entrega pontual das tarefas credita ao aluno o respeito aos prazos e a capacidade de  corresponder às solicitações.
O fator atenção é um quesito importante na sala de aula. Grande parte dos alunos de hoje têm dificuldade de concentrar sua atenção nas aulas, sejam elas expositivas ou até mesmo práticas.
O acesso a milhares de informações do mundo interativo é positivo, porém, ao mesmo tempo dificulta a capacidade de atenção prolongada, o que resulta em estudantes agitados, impulsivos e bastante desatentos. O excesso de estímulos acaba saturando e impossibilitando o exercício da atenção.
Os espaços escolares clamam por alunos participativos, questionadores, que dão ideias e sugestões. Alunos assim,  enriquecem a sala de aula, engrandecem os conteúdos, ampliam as oportunidades de aprendizagem. Por isso, as famílias devem cuidar para que haja em suas casas espaço para perguntas, ideias, criações e formas diversas da criança participar da dinâmica das tarefas, dos projetos e da organização cotidiana.
Dessa habilidade forma-se o aluno que não leva dúvidas para casa, que levanta questões, que escava os conteúdos até chegar à compreensão do assunto.
 E a escola se agiganta  quando alunos compartilham os conhecimentos com os colegas e dividem o conteúdo que aprenderam. Essa  é uma habilidade importante que contribui para ambos os lados. De um lado o aluno ao explicar ou tirar dúvidas dos seus colegas, reforça ainda mais e amplia o seu próprio conhecimento. Já o colega que recebeu a informação pode se apropriar de algo que ignorava.
Crédito mesmo tem na escola o aluno esforçado. O esforço, o desejo de conquistar algo, a braveza para superar dificuldades e lacunas, também contam muito e diferenciam um aluno do outro.
Essa reflexão pretende compartilhar informações e  lista algumas habilidades pessoais que ajudam e levam o estudante a “tirar de letra” a  escola, sem a pretensão de padronizar pessoas, comportamentos ou conceitos.
Pessoas são singulares. Alunos são todos diferentes e chegam à escola cada um com suas características. De forma alguma deve-se esperar que cheguem formatados, prontos e robotizados.
Num mundo globalizado e tecnológico como esse, os alunos chegam à escola com muitos conhecimentos. Cabe à escola oferecer espaço para que eles reelaborem esses conhecimentos, façam ligações, vejam esses domínios sob novas perspectivas, com novas “aplicabilidades” e também possam empregar e produzir novas informações, criar novos conteúdos, passando de recebedores para produtores de cultura. Talvez seja esse um caminho para  envolver os alunos com a aprendizagem e fazê-los comprometerem-se com ela.

domingo, 9 de agosto de 2015

Um presente bem dado

      No dia seguinte à comemoração do seu aniversário a menina Ana Júlia se empolga com um quebra-cabeças de duzentas peças que ganhara da vó Lena. Avós normalmente dão presentes adoráveis aos seus netos.
      O dia estava frio e chuvoso, convidando  todos para o recolhimento. Dia preguiçoso, roupas confortáveis, cobertor no sofá, colchão jogado no chão, conversa rolando solta, risadas escancaradas.
Cenário propício para uma boa reunião de família, desta vez sem a distração dos celulares, já que estavam todos num local sem rede, sem conexão.
      Voltando ao presente da menina, ela e seu pai começaram a procura pelas peças  numa tarefa que duraria algumas horas.
     Sentada num canto comecei minha observação.
     Na mesa do centro o desenho de uma cena começava a esboçar. Pai e filha começaram a separar as peças por cores, alternando entre preencher o jogo e agrupar as peças.
     Após um tempo de tentativas, se afastam e de repente o quebra-cabeças chama a atenção de outra pessoa que senta, olha e começa a raciocinar na escolha das peças a serem colocadas. Um tempo ali quebrando a cabeça, várias peças encaixadas e uma pausa.
     Mais um tempo e um grupo se volta ao quebra-cabeças. Olham a cena que estava sendo composta e começam a maquinar novas tentativas de encaixe. Avançam na colocação das peças e saem dando lugar a outras pessoas. Os encaixes eram feitos por pessoas de todas as idades indo das crianças aos idosos.
Assim sucederam muitas jogadas. Pessoas olhavam, encaixavam peças e saíam.  E a cada jogada, novas peças davam origem à cena e a vontade de terminar ficou imensa.
     A chuva continuava. Agora o grupo todo se juntou. E foi uma grande corrente de energia que reuniu todos num único objetivo. Como cada um tinha ajudado na construção do jogo, agora todos se sentiam responsáveis por concluir a tarefa. 
     Quando a última peça foi colocada, a vibração foi bonita de se ver. Gritos, risos, abraços. Uma única torcida em prol da realização final.
     Fiquei observando, pensando e tirando dali muitas lições.
     Primeiro,  a lição da importância do brincar junto, da  interação, da troca de experiências.
     A segunda lição é do valor do trabalho em equipe. Quando um desistia, logo vinha outra pessoa e recomeçava o jogo. O jogo foi um elo que ligou a todos num único objetivo.
     Outra lição foi a da importância do foco. Mesmo alguns tendo se dispersado, o jogo manteve-se ali,  e ao passarem pela mesa a atenção voltava e com ela o desejo de terminar aquela história.
     Fico  a pensar que tudo isso só foi possível porque a vó Lena comprou um presente que permitiu toda essa interação e porque todos estavam distantes das redes, “em OFF para a tecnologia” e plugados apenas no interesse por terminar aquele jogo de quebra-cabeças.
     Que nos cerquemos que momentos assim!!!

Rosângela Silva