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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

A "brincadeira" da rasteira


A "brincadeira" da rasteira
Rosângela Silva

Viralizou na internet nos últimos dias, vídeos em que dois amigos enganavam e passavam uma rasteira num terceiro colega. Isso acontecia muitas vezes em escolas, em suas próprias casas ou em encontros e festas. Há cenas de filhos fazendo isso também com suas mães. São cenas chocantes e de entristecer.
Atitude de muito mau gosto e que revela pouca empatia, muitos de nós, educadores, nos pusemos a refletir com nossos alunos sobre o fato.
Rapidamente as escolas reagiram e começaram  a trabalhar com a educação emocional dos estudantes. Os pais atentos e que acompanham de perto seus filhos também começaram um trabalho de orientação e conscientização. Assim, em paralelo à brincadeira, também viralizaram muitas ações contrárias, positivas, apelando para o companheirismo, para o cuidado com o outro, para as ações afetivas.
É verdade que há muito egoísmo, maldade, enganação, e literalmente “passadas de rasteira” em nossa vida cotidiana.
Quem não viveu uma passada de rasteira na vida, de amigos, de familiares, de colegas de trabalho, dos nossos governantes?
Tudo isso é preocupante, é grave, mas nem por isso, nós adultos emocionalmente saudáveis, conhecedores e praticantes das leis , saímos por aí dando o troco e exercitando o código de Hamurabi (olho por olho, dente por dente).
É verdade que prolifera na sociedade a lei do mais forte sobre o mais fraco, do mais rico sobre o mais pobre, daquele  que tem mais poder sobre o que não o tem. E é certo que há muita gente reagindo contra isso.
Quem consegue perceber isso nos noticiários e conversas cotidianos?
É verdade que há uma onda para que as minorias não sejam notadas, nem ouvidas. E é verdade que há muita gente trabalhando para reverter isso.
Eduquemos nossas crianças e suas famílias. Como escola,  não podemos fugir desse árduo compromisso.  Assim,  começamos por mudar nosso bairro, nossa comunidade, nossa cidade, convivendo e colhendo os frutos do nosso trabalho nos nossos arredores.
Sim, se todos trabalharem a cultura da paz, forjaremos seres humanos melhores, que estarão consequentemente praticando ações saudáveis no nosso entorno.
Trabalhemos para que assim seja!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Qual é o seu propósito?


Qual é  o seu propósito?
Rosângela Silva



 Em qualquer área da vida o propósito é aquilo que rege nossas ações. Propósito  é a intenção, o designo, a finalidade, o intuito que se tem antes de começar algo.
Como a especialidade aqui é falar de educação, o  foco da reflexão é olhar para os educadores e  escolas e promover pensamento quanto à coerência entre  seus propósitos  e suas realizações.
Em relação aos professores toda ação começa com pesquisa, estudo, busca, levantamento de dados, seleção de prioridades e planejamento. Não obrigatoriamente nesta ordem citada.
O que vou ensinar? Como vou ensinar? Que ferramentas  ou metodologias vou empregar nesta tarefa? Como  o aluno vai interagir com essa proposta? E como vou avaliar? Tenho elementos suficientes sobre a turma para iniciar tal tarefa? Preciso adaptar algo para algum aluno? Quantas aulas julgo suficientes para desenvolver essa programação? Tenho os materiais de apoio disponíveis para essa aula ou tenho que prepará-los?
A lista acima é pequena diante de tantas questões que envolvem o preparo de uma aula. Muitas aulas são desastrosas ou mal dadas porque o professor chega à sala sem propósitos definidos. E sem uma aula bem estrutura da ou sem saber o que  o professor espera dele, o estudante vai enveredando para outros centros de interesse.
Falando das escolas, o propósito é também importantíssimo para definir seu papel na sociedade e especialmente na comunidade em que atua.
Qual meu propósito? Que clientela atendo? O que buscam nesta unidade escolar? Quais seus valores?  Que pontos foram relevantes para a escolha feita pelo cliente? Como preparo minha equipe para atender essa clientela? Que combinados e limites estabeleço diante do grupo que atendo? Como mantenho o grupo que comprou meus serviços motivado, atuante e fixado  nesta escola? Fazemos qualquer negócio para a retenção do  cliente? Sigo uma linha de coerência entre meus serviços e aquilo que entrego? Como vendo meus serviços? Aceito todos os alunos ou faço seleção de perfil? Quero ser vista como escola tradicional ou contemporânea? Sigo as tendências educacionais por acreditar nelas ou para me equiparar ao concorrente?
De todas as questões levantadas aquela que pode abraçar todas as demais é a que responde sobre o propósito, pois com essa clareza  todo o gerenciamento do cotidiano deve girar na manutenção de coerência entre o que se propõe e como se atua.
Quantas escolas falando de afetividade, sem proximidade com os alunos?
Quantas divulgando aulas práticas, mas executando só as teóricas?
Quantas intitulando-se bilíngues, sem ser de fato?
Quantas valorizando o  protagonismo do aluno, mas centralizando a aprendizagem somente no professor?
Quantas inspirando-se nas  múltiplas inteligências,  mas exigindo do aluno apenas o conhecimento acadêmico?
Quantas falando em construção do conhecimento, sem dar oportunidade do aluno integrar o conhecimento do seu meio?
Quantas dizendo sobre a interação social operando diariamente com carteiras enfileiradas?
Quanta incoerência! Quanta falta de intencionalidade!
E aí, qual é mesmo o seu propósito?


domingo, 18 de fevereiro de 2018

O cabelo da Peppa


Texto publicado pela Revista D'Ávila
http://www.revistadavila.com.br/2017/11/o-cabelo-da-peppa/
                                                     O cabelo da Peppa
                                                         Rosângela Silva

Hoje temos falado muito sobre as minorias: mulheres, homossexuais, negros,indígenas, deficientes, o que é sinal de que há uma preocupação em diminuir os privilégios das classes dominantes.
 Por falar nisso, fiquei muito surpresa na semana passada quando li que o livro “Peppa” de Silvana Randotinha sido retirado de circulação pelo conteúdo racista do mesmo.
Em uma ocasião, li o livro, usei em sala de aula para trabalhar as diferenças entre as pessoas, a auto-aceitação e  fazer reflexões a cerca desses assuntos. Talvez, minha ingenuidade ou falta de aprofundamento, não me tenha permitido olhar o livro com olhos mais críticos.
Tenho uma filha de descendência negra, que tem muuuuito cabelo. Sei que a quantidade de cabelo a incomoda. Dei o livro de presente a ela enaltecendo a quantidade e a força deles.
Jamais li racismo no livro. Sou pedagoga e acompanho um pouco como as crianças pensam. Elas fantasiam, saem da realidade facilmente, se divertem com impossibilidades, riem de acontecimentos sérios, inventam histórias fantásticas, atribuem vida aos objetos com uma criatividade encantadora, entram em contato com o absurdo para conhecer o real.
O fato é que a blogueira Ana Paula Xongani, leu-o de forma bem crítica, fez apontamentos muito sérios, citando a existência de  racismo no linguajar da autora e nos desenhos que acompanham a história.
E então lá fui eu, fazer nova leitura com olhar mais apurado e atentando às novas perspectivas.
Vendo pelas imagens do livro percebemos que sim, as imagens podem chocar. Mas será que o choque não está apenas na cabeça das pessoas que estão procurando por isso?  Será que nesse momento em que vivemos não há muita gente de plantão buscando brechas para criticar e encontrar erros nas pessoas e situações?
Crianças brancas também são discriminadas por usar óculos, por serem gordas ou magrelas demais, por terem espinhas…
Crianças indígenas são discriminadas por serem deficientes, por não terem recursos para frequentarem bons hospitais, por não falarem a língua dos brancos…                          
Crianças negras são discriminadas por não aprenderem, por serem meninas, por intolerâncias religiosas…
Muda-se a cor do cabelo, alisa-se, encrespa-se, aumenta-se, encurta-se o tempo todo. Isso acontece com crianças brancas, negras ou indígenas…
Usar um alicate para cortar o cabelo para usar o fio fechar o pacote de biscoitos foi o modo da autora  exemplificar a força e a utilidade do cabelo, num sentido lúdico, na minha opinião.
Relatar que o tratamento demorou 16 horas e quarenta e oito minutos foi um jeito dela usar o exagero de horas,como nós mesmos fazemos ao contar histórias ou como a própria criança faz quando que comunicar algo intenso.
Desenhar o pente e a escova quebrados durante o tratamento do cabelo foi o modo de comunicar a dificuldade que houve no tratamento.
Ainda bem que as crianças mantêm a capacidade de fantasiar e enxergar os fatos com mais leveza do que os adultos e sobrevivem a esse momento em que são protegidas de tudo: das tristezas, das frustrações, das chateações e da própria realidade.
Cansada de tanto mimimi e de tanta cobrança para que sejamos todos,o tempo todo,“politicamente corretos”. Sigamos os padrões éticos, sejamos bons modelos para nossas crianças, porém sem dar tanta importância a questões que podem ser discutidas, debatidas, clareadas, usadas para reelaborar novas perguntas e questionamentos.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Despertar para a sensibilidade

Despertar para a sensibilidade

                                                             Rosângela Silva

Publicado em  http://www.revistadavila.com.br
Não há receitas prontas para educar os filhos, para fazê-los serem pessoas de sucesso, para transformá-los em  pessoas éticas.
Não há fórmulas certas, nem formas que possamos colocá-los e depois de um tempo brotar o sonhado filho.
Há sim atitudes e ações cotidianas que podem ajudar a formar um indivíduo mais atento, sensível e ético. Como querer ter um filho sensível sem que ele vivencie a sensibilidade?
Como sonhar com um filho ético, sem que ele exercite essa prática?
Como vislumbrar um filho empreendedor se tratá-lo como um “bebezão” incapaz?
Outro dia vi uma adolescente pedir para a mãe parar o carro para que fotografasse uma linda árvore forrada por um tapete de  flores no chão. A mãe parou! Era uma cena linda! Antes de fotografar a árvore realmente a menina, já a tinha fotografado na mente. Olhou, se sensibilizou, gostou do que viu e então o ato de fotografar para seu registro.
A mesma menina foi premiada recentemente em um concurso de fotografias da cidade. Andava com o pai pela cidade, passaram por um lugar bonito, o pai chamou-lhe a atenção e sugeriu a foto. Ficou lindo o registro a ponto da foto ser premiada. Mérito só da garota?
Claro que não, se o pai não lhe mostrasse e não lançasse o desafio da foto, talvez ela sozinha não percebesse a beleza daquele momento.
Nesses dois exemplos fica clara a importância do “despertamento”, do incentivo, do “treinar o olhar” para as coisas belas que se expõe ao nosso redor.
Sem tempo para observar e conhecer os filhos não é possível transformar pequenos instantes em ricas aprendizagens de vida.
Sem disponibilidade para estar com os filhos e gastar nosso tempo com eles, não é possível entender como pensam e como resolvem seus conflitos.
Sem coragem para abdicar de si mesmo em favor da educação e fortalecimento dos filhos não é possível intitular-se pai ou mãe.

sábado, 15 de outubro de 2016

Continue a nadar, continue a nadar

                                  Continue a nadar, continue a nadar
                                                Rosângela Silva


Texto puplicado na Revista  D'Avila
http://www.revistadavila.com.br/2016/09/continue-a-nadar-continue-a-nadar/

Em 2003, minha filha  tinha 3 anos quando assistimos ao filme “Procurando Nemo” no cinema. Ela amou o filme e com o DVD em casa assistimos mais um milhão de vezes.
Eu, educadora, também me encantei com o filme e me identifiquei com o drama do pai Marlin, um pai superprotetor, que se desdobra para cuidar  do filho Nemo que  tem uma característica especial, possui uma nadadeira menor que a outra. É sempre vigiado e muito cuidado pelo pai, que  explica  sobre os perigos do mar, sinaliza, aconselha, orienta e muitas vezes, sufoca e exagera na proteção  ao seu filho Nemo, um peixe-palhaço. Enfim, o pai tenta estar presente em sua vida, para ajudá-lo e diminuir possíveis dificuldades que possam surgir.
Sua preocupação aumenta  quando o filho Neno  foi capturado por um mergulhador e ele trava uma busca incansável para achar seu filhote, pelo mar aberto.
No filme apesar do sufoco, Nemo vive interessantes aventuras com sua companheira Dory, aprende muito e faz diversos novos amigos. O desespero maior era mesmo do pai na longa procura por sua cria.
Ruim julgar Marlin, muitos pais, parecidos com ele, agem assim com boa intenção, querendo acolher o sofrimento de seus filhos, impedindo, sem querer ou sem consciência dos atos,  que passem pelas dores e aprendam com elas. O que é certo  dizer é que o mundo  não poupa aqueles mais indefesos e mais frágeis. A lei da inclusão está aí para provar isso e mesmo sendo lei, é negligenciada por tantos.
Agora, em 2016, assistimos “Procurando Dory”, que conta da busca imensa de Dory, um peixe da espécie Blue Tang, para encontrar sua família, mesmo com seus lapsos de memória. Situação que também a torna especial.
Dory, com suas limitações não se intimida e é persistente na sua busca. Uma grande lição do filme que ficou para mim é a importância da família. Somente na família podemos ser aceitos do jeito que somos ou então receber as críticas e resistências necessárias para o nosso aperfeiçoamento.
Família é a base da nossa personalidade, do caráter, dos valores, é o lugar dos modelos e referências  embora,  às vezes ela possa sim,  ser nociva e negligente.
No caso do filme, o que nos mostra é o lado positivo da família, um lugar para onde sempre queremos voltar para sermos mais completos e estarmos seguros.
Outro ponto  retratado é que a família precisa ensinar a persistência, a coragem e o enfrentamento dos medos. Não pode apenas poupar e dar colo.
Aceitar as dificuldades sim, mas ao mesmo tempo é dever da família fazer de tudo para que os filhos possam ter condições de enfrentar as adversidades, afinal nossas crianças não ficarão para sempre sob a nossa proteção.
“Continue a nadar! Continue a nadar! Continue a nadar, nadar, nadar! Para achar a solução, nadar, nadar !” Essa é uma frase, ou melhor um mantra que Dory repete continuamente e que também devemos repetir aos nossos filhos.
A vida muitas vezes vai nos decepcionar e até atropelar, mas, mesmo assim, precisamos prosseguir, dar um jeito, recomeçar, seguir adiante e certamente continuar a nadar.

sábado, 30 de julho de 2016

Meninos Em Ação (Em Boa Ação!)

Meninos Em Ação (Em Boa Ação!)

                                                              Rosângela Silva

Texto publicado na Revista- http://www.revistadavila.com.br/

     Dias atrás conversava com uma prima sobre educação dos filhos. Eu comecei dizendo que diminuiríamos muito o machismo e as agressões contra as mulheres se as mães dos meninos cuidassem para que eles crescessem respeitando mais as meninas.
     Ela concordou, mas como mãe de 3 meninos, relatou o quanto percebe a falta de limites e o desrespeito das meninas para consigo mesmas, disse perceber a família deixando as cobranças e orientações de lado.  Continuando, ela descreveu como aconselha seus filhos: “Oriento que devem cuidar e ser gentis com as meninas”, “ Peço que as tirem de ocorrências perigosas ou vexatórias”, “Digo a eles que  têm que ajudar as meninas que  estiverem em situação de risco ou que se põem em atos constrangedores”.
     Minha cunhada também educa um menino de 17 anos. Ela é categórica com as  responsabilidades dele  e sempre repete"Neto meu não ficará largado pelo mundo. Se fizer filho, vai ter que assumir e cuidar".
     É assim mesmo que penso que as famílias dos meninos deveriam agir.
     A verdade é que uma boa parte de nossas crianças ou adolescentes sejam eles, meninos ou meninas, têm sido negligenciados pelas suas famílias. A pressa, o trabalho, o cansaço, as cobranças profissionais e o egocentrismo dos pais fazem com que cuidem menos de suas crias e olhem menos para elas.
     O resultado é uma grande massa de desajustados, querendo levar vantagem, querendo se passar por ícone em ações incorretas ou maldosas, mentindo, driblando, desejando ter sucesso sem usar de esforço e dedicação.
     Falando especificamente dos meninos agora, vamos relembrar que  os hormônios contribuem para o comportamento mais impulsivo e agressivo e, em relação à estrutura cerebral, a amígdala, maior no homem, influencia para que sejam mais explosivos e tenham gosto pelos riscos. Há nos meninos diferenças em relação às meninas nos sentimentos, nos relacionamentos, no pensamento, na resolução dos problemas e nas reações. Isso tudo confirmado pela neurociência, pela psicologia e pela biologia.
     Sendo o corpo masculino uma ferramenta que induz ao movimento, a ação e, até à transgressão, cabe às famílias e às escolas investirem  esforços na formação dos valores e do caráter em busca de um ajuste positivo na educação dos meninos.
     O pai é uma figura importantíssima na formação dos meninos e uma referência no direcionamento das ações assertivas. Na ausência do pai, tios, avós ou padrinhos cumprem bem esse papel. O importante é que recebam bons exemplos dentro da família para terem em quem se basear para moldar a sua personalidade e os seus valores.
     Muitas atitudes podem ser adotadas para educar a sensatez, a sensibilidade e os valores dos meninos, tanto em casa como na escola: reduzir  a exposição à violência, permitir o choro e a demonstração de medo, estimular o cavalheirismo com todos ao seu redor, ensinar a cozinhar e cuidar dos afazeres domésticos, ensinar a respeitar as meninas, jamais puxando ou forçando uma proximidade que elas não desejam, treinar o sentimento da perda,  propor situações para exercitar o  autocontrole, cobrar  atitudes positivas com amigos e vizinhos, valorizar atitudes acertadas no dia a dia e escolhas saudáveis, valorizar a honestidade e expulsar a corrupção cotidiana  do ambiente familiar.
     O estímulo aos esportes, o incentivo ao bom gosto musical, especialmente de ídolos que sejam bons modelos de valores, o compartilhamento de boas ideias e ações no meio em que vivem também contribuem para uma formação melhor.
     A família, a escola e o governo devem  estar atentos aos meninos especialmente no aspecto da permanência na escola. Dados confirmam que as meninas são mais alfabetizadas e permanecem mais na escola do que os meninos. Eles enfrentam o trabalho mais cedo e buscam ajudar no sustento familiar, principalmente nas classes menos favorecidas.
     Uma comunidade melhor depende de pessoas mais conscientes e melhores em suas ações. A cidadania começa em casa e estamos todos muito carentes de heróis e de bons exemplos. Eduquemos nossos meninos!! Eles não precisam ser heróis, mas podem ser gente boa!!!

sexta-feira, 24 de junho de 2016

SER FAMÍLIA DO ESTUDANTE

                                            SER FAMÍLIA DO ESTUDANTE
                              Rosângela silva ( artigo publicado na Revista  www.revistadavila.com.br)

Família e escola devem ter uma parceria forte e sólida em benefício do sucesso pessoal  e escolar do estudante. Sendo escola particular, a visita da família para tomar conhecimento da proposta pedagógica, equipe docente,  segurança, dependências físicas, material didático  é crucial para que a escolha aconteça com clareza e haja um casamento entre as aspirações da família e da escola.
     Na escola pública, embora muitas vezes as famílias não possam escolher a instituição, nada impede o agendamento de uma entrevista com o diretor ou coordenador para um conhecimento mais aprofundado do trabalho ali realizado.
     Cabe à família educar suas crianças e transmitir a elas valores positivos, fundamentais à convivência social. Os modelos recebidos pelas crianças dentro das famílias são determinantes para sua vida pessoal e social.
     Para começar é preciso que dentro da família se estabeleça regras e limites sempre. Pode parecer contraditório, mas a verdade é que as crianças e adolescentes clamam por isso. As regras dão segurança e determinam modos  de agir  e responder às questões impostas pelo cotidiano.
     Outra forma da família atestar seu interesse na vida estudantil do aluno é providenciando materiais solicitados com presteza e pontualidade, dando condições para que o trabalho se efetive com mais agilidade na sala de aula.
     É muito bom também que a família oriente os filhos a seguirem o regulamento da escola, evitando estimular regras especiais para eles e procurem evitar faltas desnecessárias em dias letivos.
     Participar da vida escolar, frequentar as reuniões e eventos, cobrar a realização dos deveres e estudos diários também fortalecem a parceria e mostram ao estudante o desejo, dentro de casa, do seu sucesso escolar.
     Cabe às famílias apoiar o trabalho das escolas, uma vez que conheceram a linha de trabalho da instituição, questionaram o modo dela atuar diante das ocorrências disciplinares, discutiram sua visão filosófica e formas de comunicação, precisam confiar que as ações dos profissionais estarão coerentes com sua proposta educacional.
     Dar credibilidade ao trabalho feito pela escola valida sua escolha e mostra ao estudante que a família apoia e está do lado da instituição. Lembrando aqui,  que num conflito, sempre é muito bom ouvir os dois ou mais lados em questão, com o intuito de entender a ocorrência de forma completa. Tanto para a escola, como para o estudante, isso mostra o interesse e acompanhamento da família na vida do aluno. Caso seja necessário é muito válido que a família solicite uma retratação por parte do estudante.
     Certamente uma boa escola, procurará agir com responsabilidade e seriedade nas ocorrências diversas que se listam diariamente em suas dependências, mas todas são passíveis de erro. Quando a escola errar, deve ser questionada e levada a pensar suas ações.
     Cabe também às famílias agir com confiança e generosidade nas críticas. Uma vez que haja um equívoco por parte da escola, de nada adiantará falar mal dos profissionais na frente do filho envolvido, alarmar outros pais no portão ou ainda  postar a ocorrência nas redes sociais. A ação assertiva é procurar a direção ou coordenação para conversar e juntos encontrarem o melhor caminho para solucionar a questão.
     Aprender com os erros é muito bom para todos os envolvidos, tirando uma lição positiva dos episódios ruins se aprende grandes ensinamentos. Saber que o erro é a porta para a aprendizagem ensina a todos, pais, alunos e escola a superar dificuldades, rever ações, retomar e consertar atitudes equivocadas, possibilitando o exercício da humildade e da sabedoria.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Ser aluno

O terceiro texto fala como ser um aluno de sucesso, de que forma a família podem contribuir nessa empreitada e os anseios da escola.

                                                                                       SER ALUNO
                                  Rosângela silva ( artigo publicado na Revista  www.revistadavila.com.br)

Ser aluno é colocar-se na condição de aprendiz e isso é possível ocorrer muitas vezes,  todos os dias. Ninguém torna-se aluno apenas por sentar-se nos bancos  escolares. Se encontra na situação de aluno, a criança que observa a vó tecer um tapete, a outra que assiste a mãe fazer um bolo, o menino que vê o pai consertar o pneu, a garota que acompanha o irmão  jogar damas, um adulto que assiste à uma palestra on-line, uma pessoa que escuta uma entrevista no rádio. O  texto “Ser aluno” procura retratar o perfil do bom estudante e de que forma a família e  a escola podem colaborar para o seu sucesso.
 Para isso é preciso situá-lo no atual contexto social. Hoje vivemos uma sociedade com grande crise ética, política e social na qual os valores positivos e a capacidade de empatia e respeito estão em queda. A família também vive seus conflitos, assim como a escola.
Muitos pais parecem perdidos quanto ao seu papel, quanto ao que o filho pode ou não em cada fase que vive, quanto à forma melhor de educar, quanto ao modo de aplicar sanções, quanto à maneira de estabelecer regras.
Crianças e adolescentes cada vez mais hedonistas, mimados e centralizadores chegam às escolas, que muitas vezes também não sabem como lidar ou estabelecer seus limites.
 A escola, por sua vez,  espera que cheguem ao seu espaço em qualquer tempo que for, alunos que primeiramente saibam acatar comandos, regras e  respeitar autoridades. Cabe às famílias estabelecerem esse critério, para que seus filhos tenham dimensão de como agir  e viver adequadamente nesse espaço coletivo que necessita de ordem, regras  e respeito entre os que convivem.
Como chegar às escolas com esse preparo,  se muitas vezes os filhos tomam as decisões em casa, mandam e decidem conforme seu interesse próprio, sem ter consequências colocadas que os levem a aprender e amadurecer com os erros?
Escolas incentivam organização. Um aluno organizado tem vantagens sobre colegas que não possuem essa característica. E um adulto organizado começa a ser moldado em casa quando a a criança, guarda seus brinquedos, roupas e sapatos, quando um adolescente arruma sua cama e suas gavetas, por exemplo.
Professores alegram-se com alunos estudiosos e responsáveis com seus deveres. Estudar diariamente e fazer os deveres de casa  são atitudes que contribuem para o sucesso de qualquer estudante. Esse é um grande desafio para pais e escolas, pois a maioria das crianças e adolescentes têm dificuldade de cronometrar seu tempo e dividi-lo entre os estudos e o lazer. Especialmente os adolescentes, perdem-se diante da sedução dos aparelhos tecnológicos, que enfeitiçam e roubam tempo. Tempo que poderia ser melhor aproveitado, inclusive com propostas familiares de lazer mais atraentes e que levassem a garotada a sair do sedentarismo,  que certamente contribuiriam para um desenvolvimento mais saudável e completo.
Educadores sabem da importância da autonomia para  o sucesso escolar. As famílias podem contribuir com as escolas estimulando  as crianças  nesse aspecto. Desde cedo é muito importante que os pais não façam por seu filhos,  aquilo que já são capazes de realizar sozinhos. Assim, vão crescendo autônomos, capazes de agir e fazer as tarefas que lhe chegam, com mais independência. Diversas oportunidades de escolha podem ser dadas às crianças e  adolescentes para que treinem a capacidade de escolher por si mesmos e assim exercitarem momentos de autonomia.
Na escola, os mestres valorizam também a iniciativa, que é outro quesito importante que agrega sucesso aos estudantes. Aqueles que não necessitam de supervisão frequente, que são capazes de iniciar propostas, enfrentar desafios, agir espontaneamente  sobressaem-se sobre os demais estudantes. Os pais podem colaborar para que seus filhos sejam sujeitos mais prontos para realizar as tarefas, estimulando e elogiando suas iniciativas. Muitas vezes, até sem querer ou perceber os pais limitam o interesse e a iniciativa de seus filhos e isso poda a sua disponibilidade natural e o seu ânimo.
Alunos que iniciam propostas e são capazes de concluí-las também têm grande reconhecimento na escola. A procrastinação é hoje um dos grandes desafios dos professores na sala de aula, pois muitos alunos resistem, enrolam e vão deixando os compromissos para depois. Em casa, os pais ajudam muito, se cobrarem a finalização das tarefas, estabelecendo tempo e a forma adequada de execução. Crescendo assim, as crianças vão se sentindo confiantes, capazes e treinando a habilidade de realizar as tarefas que lhe são postas.
Para os professores a  conclusão e entrega pontual das tarefas credita ao aluno o respeito aos prazos e a capacidade de  corresponder às solicitações.
O fator atenção é um quesito importante na sala de aula. Grande parte dos alunos de hoje têm dificuldade de concentrar sua atenção nas aulas, sejam elas expositivas ou até mesmo práticas.
O acesso a milhares de informações do mundo interativo é positivo, porém, ao mesmo tempo dificulta a capacidade de atenção prolongada, o que resulta em estudantes agitados, impulsivos e bastante desatentos. O excesso de estímulos acaba saturando e impossibilitando o exercício da atenção.
Os espaços escolares clamam por alunos participativos, questionadores, que dão ideias e sugestões. Alunos assim,  enriquecem a sala de aula, engrandecem os conteúdos, ampliam as oportunidades de aprendizagem. Por isso, as famílias devem cuidar para que haja em suas casas espaço para perguntas, ideias, criações e formas diversas da criança participar da dinâmica das tarefas, dos projetos e da organização cotidiana.
Dessa habilidade forma-se o aluno que não leva dúvidas para casa, que levanta questões, que escava os conteúdos até chegar à compreensão do assunto.
 E a escola se agiganta  quando alunos compartilham os conhecimentos com os colegas e dividem o conteúdo que aprenderam. Essa  é uma habilidade importante que contribui para ambos os lados. De um lado o aluno ao explicar ou tirar dúvidas dos seus colegas, reforça ainda mais e amplia o seu próprio conhecimento. Já o colega que recebeu a informação pode se apropriar de algo que ignorava.
Crédito mesmo tem na escola o aluno esforçado. O esforço, o desejo de conquistar algo, a braveza para superar dificuldades e lacunas, também contam muito e diferenciam um aluno do outro.
Essa reflexão pretende compartilhar informações e  lista algumas habilidades pessoais que ajudam e levam o estudante a “tirar de letra” a  escola, sem a pretensão de padronizar pessoas, comportamentos ou conceitos.
Pessoas são singulares. Alunos são todos diferentes e chegam à escola cada um com suas características. De forma alguma deve-se esperar que cheguem formatados, prontos e robotizados.
Num mundo globalizado e tecnológico como esse, os alunos chegam à escola com muitos conhecimentos. Cabe à escola oferecer espaço para que eles reelaborem esses conhecimentos, façam ligações, vejam esses domínios sob novas perspectivas, com novas “aplicabilidades” e também possam empregar e produzir novas informações, criar novos conteúdos, passando de recebedores para produtores de cultura. Talvez seja esse um caminho para  envolver os alunos com a aprendizagem e fazê-los comprometerem-se com ela.

terça-feira, 19 de abril de 2016

SER PROFESSOR

O segundo texto “Ser professor” elenca o papel desse profissional nos tempos atuais. O terceiro texto “Ser aluno” coloca em pauta a necessidade de conhecer o perfil do aluno e suas necessidades. Por fim, o último texto “Ser família do estudante” discute a participação das famílias impulsionando o sucesso escolar das crianças e jovens.

                                                                              SER PROFESSOR

                             Rosângela silva ( artigo publicado na Revista  www.revistadavila.com.br)
Hoje no nosso segundo texto “Ser professor” o texto elenca o papel desse profissional nos tempos atuais. Peça norteadora do processo ensino-aprendizagem, o professor é o grande responsável pelo desenvolvimento e encaminhamento da sua turma. É ele quem planeja, entusiasma, articula ideias, escolhe metodologias, integra saberes e linguagens e tem o mapa de onde quer chegar.
Coragem, ousadia, criatividade e capacidade de inovação são quesitos importantíssimos para professores que querem fazer a diferença na vida de seus alunos, especialmente nos dias atuais em que os alunos esperam que tudo seja rápido, eficiente e funcional.
Como o conhecimento renova-se a cada dia e pode chegar até a se contradizer, tamanha rapidez das pesquisas, teorias e mudanças, o  professor precisa ser um aprendiz contínuo e um grande curioso. Aquele que na  área da educação (ou qualquer área) acredita já saber tudo ou já estar completamente pronto, pouco poderá ensinar aos  seus alunos, especialmente sobre humildade e capacidade de recriar-se .
Professor é mediador de aprendizagem, mas para que isso aconteça precisa conhecer seus alunos, saber um pouco dos seus gostos e preferências, seus interesses e sonhos.
Integrar conhecimentos é outra tarefa que cabe ao professor, juntando  os conteúdos, aproximando saberes, misturando assuntos que aparentemente são desconectados.
Ser ou não um bom professor depende da capacidade de entrega de cada profissional ao seu ofício. Há aqueles que ao adentrarem à sala de aula, entregam-se com tanto amor, dedicação e profissionalismo que não deixam para trás nenhum dos seus aprendizes. Caminham junto com eles e vão extraindo de cada um, aqueles saberes escondidos, rejeitados, desconsiderados e assim, vão impulsionando o conhecimento a brotar. Criam condições para seus alunos caminharem, removendo obstáculos, pegando atalhos, tirando pedras do caminho. São professores que abrem-se para o outro, dando significado às pessoas, à escola e à aprendizagem.
Estes não são apenas “dadores” de aula, são de fato educadores. Dar aulas é bem mais fácil do que ser professor. Dar aulas implica em planejar, organizar as estratégias e passar seu conhecimento. Ser professor é mergulhar nas profundezas do mar incerto e desafiador, que é a sala de aula, e ir se aprofundando, explorando, conhecendo de verdade aqueles que ali estão.
Numa sala de aula, repleta de pessoas diferentes, com valores, crenças, vontades, ritmos, ideias e sonhos pessoais confrontando-se e até chocando-se constantemente, cabe ao professor acolher essas diferenças. Ao mesmo tempo precisa integrar e misturar todas essas informações para extrair dessa mistura conhecimentos e aprendizagens para serem compartilhados entre  todos.
Ser professor é se deixar envolver por cada aluno, é indignar-se quando ele não corresponde, não quer avançar, rejeita “a comida” que se está oferecendo. É continuar insistindo, buscando e acreditando que haverá outro jeito, outra forma dele aceitar seu alimento, seu conhecimento.
Professor, ser responsável pela transformação social que todos sonhamos e que sabemos começar em casa e se solidificar nos bancos escolares.
Professor, ser admirável, que dá referências, que projeta, que desvenda mistérios, que provoca insights, que deve cercar-se de pensamento reflexivo e crítico sendo modelo  e fonte de inspiração ao seu aluno. E aqui, ouso plagiar a ideia de Rubem Alves de que o aluno quando admira seu mestre, faz seu coração dar ordens à inteligência para aprender as coisas que o mestre sabe. Saber o que o mestre  sabe, passa a ser uma forma de estar com ele. Aprende porque ama. Aprende porque admira.
Um bom professor é aquele que junta três saberes importantíssimos que o capacita para estar à frente da sala de aula. O primeiro  saber é domínio de seu conteúdo, sem esse conhecimento nenhum professor inspira, convence, causa espanto ou encantamento. Outro saber necessário  está ligado às práticas usadas em sala de aula. O uso de  eficientes e interessantes recursos metodológicos atrai, motiva  e aproxima o aluno da aprendizagem.  O terceiro saber trata da habilidade de relacionar-se. Tendo bom autoconhecimento e empatia o professor saberá lidar com os conflitos dando bom encaminhamento a eles, não se deixando atingir emocionalmente por situações que podem sabotar a sua aula. Esse quesito contribui para que o professor coloque-se no lugar do aluno, entenda suas motivações e possa atuar com inteligência e condição emocional positiva na resolução dos problemas.
 O reflexo  das mudanças da sociedade dos últimos tempos associado ao descaso dos governantes com a educação em nosso país tem como resultado o fato de que cada  vez mais chegam à sala de aula, professores mal formados, sem domínio do conteúdo que lecionam, escrevendo mal, inseguros quanto ao formato de sua aula, às vezes autoritários demais e em outras vezes frouxos com a disciplina. Também chegam duvidosos quanto aos recursos pedagógicos, às metodologias e às estratégias, sem saber por vezes, como e por onde começar. E tão grave quanto às dificuldades anteriores, chegam sem conhecerem a si mesmos, nem sua clientela e suas fases de desenvolvimento e motivações.
Todas essas defasagens vão dificultar o entrosamento e levam a uma ruptura grave de comunicação, que torna ineficiente a aprendizagem.
Somando-se a tudo isso, esses professores entram em contato nas salas de aula com a chamada “geração multitarefa” que se apresenta robotizada pela tecnologia, inquieta e com dificuldade de permanecer atenta, que muda rapidamente seu ponto de concentração, que não sabe esperar e deseja que tudo seja rápido, eficiente e prazeroso, que quer resultados, com pouco esforço, que tem pouca paciência e capacidade de contemplação. E mais, falta-lhe limite e educação vindos de casa.
Tem-se então um quadro caótico em que o professor acaba não dando conta de executar bem o seu trabalho,  sente-se sobrecarregado com tantas atribuições que lhe são dadas,  o que traz desmotivação, frustração e desânimo a uma boa parcela desses professores. Poucos encontram força na sua motivação pessoal para fazer a diferença.
SER PROFESSOR, ou melhor SER BOM PROFESSOR diante de tantas adversidades é o grande desafio. Conseguem ser bem sucedidos no ofício aqueles que de fato têm amor pela profissão e conseguem encontrar realização com os pequenos feitos diários.
Esses professores se alimentam da energia poderosa que vem das crianças e adolescentes, assim como da sua alegria, da sua vivacidade, da sua brincadeira despretensiosa, da criatividade que aflora de suas invenções, do riso e da gargalhada que contaminam e fazem dar graça àquilo tudo que o mundo adulto racionaliza.
Para terminar uma fala do grande professor, Paulo Freire, que com seu texto simples, quase nos dá a receita pronta de como  exercer a profissão: “É assim que venho tentando ser professor, assumindo minhas convicções, disponível ao saber, sensível à boniteza da prática educativa, instigado por seus desafios que não lhe permitem burocratizar-se, assumindo  minhas limitações, acompanhadas sempre do esforço de superá-las, limitações que não procuro esconder em nome mesmo do respeito que me tenho e aos educandos”.

sexta-feira, 18 de março de 2016

SER ESCOLA


O texto "SER ESCOLA" é o primeiro de uma  série de quatro textos que julgo sustentarem a rede de relações dentro do espaço escolar garantindo o entendimento das funções e atribuições de todos os envolvidos no processo ensino-aprendizagem. O primeiro texto “Ser escola” apresenta uma reflexão sobre as mudanças necessárias às escolas e a importância da coerência com sua proposta pedagógica. O segundo texto “Ser professor” elenca o papel desse profissional nos tempos atuais. O terceiro texto “Ser aluno” coloca em pauta a necessidade de conhecer o perfil do aluno e suas necessidades. Por fim, o último texto “Ser família do estudante” discute a participação das famílias impulsionando o sucesso escolar das crianças e jovens.

                                                                                   SER ESCOLA 

Rosângela silva ( artigo publicado na Revista  www.revistadavila.com.br)


Discutir qual é o verdadeiro papel da escola nessa sociedade em constante transformação e os meios para que ela promova o crescimento dos indivíduos de forma sensibilizadora e provocadora de mudanças que agreguem valores às relações através dos conhecimentos obtidos em seu espaço é um assunto relevante atualmente na área da educação.
Esse é um tema que envolve os educadores compromissados, preocupados em promover uma escola significativa na vida dos estudantes.
A sociedade muda constantemente e a escola que está inserida em seu meio também precisa mudar, pois tem papel essencial na construção de indivíduos críticos, atuantes e produtores de cultura.
No dia a dia, se faz necessário articular os tempos e espaços, explorando materiais diversos, trazendo as vivências para a sala de aula e os demais espaços, criando projetos que promovam situações de aprendizagem e que façam o aluno pensar e construir seu conhecimento na interação com seus pares.
Equalizar ritmos e condições de aprendizagem num espaço que agrega diferentes alunos é um outro grande desafio atualmente para as escolas. Ser uma boa escola é conseguir  lidar com o aluno que grita por aprendizagem com aquele que precisa de estímulos e impulsos o tempo todo.
As novas configurações sugerem novos modelos pedagógicos. É necessário que se construa uma escola com currículo moderno, com propostas que atendam às novas demandas, com um novo conceito de seu papel e função.
Longe de ser a única detentora do saber nos dias atuais, a escola precisa reformar sua crença de única fonte de conhecimento e buscar novas formas de preencher seu espaço modificando as relações entre os indivíduos e a aprendizagem.
De forma prática como ser uma escola com excelência em tempos modernos?
Comecemos pela elaboração da Proposta Pedagógica. Uma boa escola tem clara e definida a sua linha de trabalho, a sua identidade. A partir daí deve aproximar suas intenções e ações, estando sempre pautada no modelo pedagógico criado.
Agir em conformidade com sua proposta pedagógica é o que dá credibilidade a uma instituição de ensino. Uma bela proposta desarticulada das ações cotidianas é apenas um engodo, um disfarce, uma lista de palavras sem sentido real para o processo pedagógico.
A partir daí é preciso pensar em muitas questões…
Como está formatado o sistema de avaliação? Há coerência com o fazer pedagógico diário? Como se faz a recuperação? Como a recuperação é vista por todos os elementos envolvidos? Ela de fato pretende recuperar deficiências ou é apenas cumprimento de protocolo? Ela é realmente pensada e organizada para os alunos e suas dificuldades?
Como são organizados os projetos e eventos? Eles são temáticos? A estrutura deles é condizente com os ideais da instituição? Vai homenagear as mães? Qual ênfase vai ser dada? O formato escolhido está coerente com os princípios da escola e com a  motivação inicial da homenagem? Qual é o intuito da Festa Junina? E da formatura? E da festa de encerramento do ano letivo?
A relação com os pais é aberta? Eles são considerados dentro do processo? Há espaço para atendê-los? Sua opinião é considerada e estudada sem que haja ingerência? Vai fazer uma reunião com pais? Qual enfoque será dado? Qual abordagem inserir nessa conversa?
A metodologia e as ações didáticas estão alinhadas com a proposta da escola ou cada envolvido age em conformidade com suas ideias próprias, desconsiderando a engrenagem pedagógica da escola?
Como a escola vê as infrações cometidas pelos alunos e quais as sanções disciplinares previstas? As ações da escola acompanham os seus princípios de formação integral do estudante? As questões disciplinares são tratadas ou costumam passar sem a atenção dos profissionais? Há preocupação com o tratamento dos casos, visando a formação ética, emocional  e social das crianças  e adolescentes?
Como se faz o acompanhamento da produção escolar? Os materiais produzidos pelos alunos passam por avaliação? Há controle através de amostragens? A prática de assistir aulas é um recurso usado pela direção ou coordenação visando conhecer o “fazer pedagógico” da sala de aula e as ações da equipe? Há feedback frequente aos profissionais a partir das ocorrências cotidianas, visando aperfeiçoamento da equipe e fidelização à Proposta Pedagógica?
Há valorização da produção escolar dos alunos? Como se faz essa cobrança? Que incentivos são dados? Há preocupação em corrigir os materiais? Como isso é feito?
Como o erro é considerado? É visto como referência para o acerto? Uma boa escola costuma avaliar constantemente os erros e acertos promovendo reflexões, aprendendo, estudando os erros e comparando resultados.
Os planos de aula são elaborados e passam pelo acompanhamento da equipe gestora?  Essa avaliação é vista como um caminho de ampliação do autoconhecimento pessoal e profissional dos envolvidos no processo?
Perguntas… Muitas perguntas… Onde andarão as respostas?
Ser uma boa escola é dar encaminhamento aos problemas, acolher críticas e aprender com elas.
Ser uma boa escola é aprimorar metodologias de trabalho dando condições para que o aluno reflita sobre o seu conhecimento e faça-o ter sentido e se encaixar em sua vida.
Ser uma boa escola é atuar para um melhor aproveitamento dos alunos agregando conhecimento e cultura ao cotidiano escolar.
Não há fórmulas mágicas para uma escola estar no caminho da excelência. O certo é que sem trabalho atento, acolhedor, reflexivo, insistente e inovador de todos os envolvidos no processo  educacional não haverá colheita produtiva e nem safra generosa.