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quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Qual é o seu propósito?


Qual é  o seu propósito?
Rosângela Silva



 Em qualquer área da vida o propósito é aquilo que rege nossas ações. Propósito  é a intenção, o designo, a finalidade, o intuito que se tem antes de começar algo.
Como a especialidade aqui é falar de educação, o  foco da reflexão é olhar para os educadores e  escolas e promover pensamento quanto à coerência entre  seus propósitos  e suas realizações.
Em relação aos professores toda ação começa com pesquisa, estudo, busca, levantamento de dados, seleção de prioridades e planejamento. Não obrigatoriamente nesta ordem citada.
O que vou ensinar? Como vou ensinar? Que ferramentas  ou metodologias vou empregar nesta tarefa? Como  o aluno vai interagir com essa proposta? E como vou avaliar? Tenho elementos suficientes sobre a turma para iniciar tal tarefa? Preciso adaptar algo para algum aluno? Quantas aulas julgo suficientes para desenvolver essa programação? Tenho os materiais de apoio disponíveis para essa aula ou tenho que prepará-los?
A lista acima é pequena diante de tantas questões que envolvem o preparo de uma aula. Muitas aulas são desastrosas ou mal dadas porque o professor chega à sala sem propósitos definidos. E sem uma aula bem estrutura da ou sem saber o que  o professor espera dele, o estudante vai enveredando para outros centros de interesse.
Falando das escolas, o propósito é também importantíssimo para definir seu papel na sociedade e especialmente na comunidade em que atua.
Qual meu propósito? Que clientela atendo? O que buscam nesta unidade escolar? Quais seus valores?  Que pontos foram relevantes para a escolha feita pelo cliente? Como preparo minha equipe para atender essa clientela? Que combinados e limites estabeleço diante do grupo que atendo? Como mantenho o grupo que comprou meus serviços motivado, atuante e fixado  nesta escola? Fazemos qualquer negócio para a retenção do  cliente? Sigo uma linha de coerência entre meus serviços e aquilo que entrego? Como vendo meus serviços? Aceito todos os alunos ou faço seleção de perfil? Quero ser vista como escola tradicional ou contemporânea? Sigo as tendências educacionais por acreditar nelas ou para me equiparar ao concorrente?
De todas as questões levantadas aquela que pode abraçar todas as demais é a que responde sobre o propósito, pois com essa clareza  todo o gerenciamento do cotidiano deve girar na manutenção de coerência entre o que se propõe e como se atua.
Quantas escolas falando de afetividade, sem proximidade com os alunos?
Quantas divulgando aulas práticas, mas executando só as teóricas?
Quantas intitulando-se bilíngues, sem ser de fato?
Quantas valorizando o  protagonismo do aluno, mas centralizando a aprendizagem somente no professor?
Quantas inspirando-se nas  múltiplas inteligências,  mas exigindo do aluno apenas o conhecimento acadêmico?
Quantas falando em construção do conhecimento, sem dar oportunidade do aluno integrar o conhecimento do seu meio?
Quantas dizendo sobre a interação social operando diariamente com carteiras enfileiradas?
Quanta incoerência! Quanta falta de intencionalidade!
E aí, qual é mesmo o seu propósito?


segunda-feira, 8 de abril de 2019

Quando gira a maçaneta da porta


Quando gira a maçaneta da porta
Rosângela Silva

Quando a filha (poderia ser um filho)  avisa que vai sair um frio percorre toda minha coluna cervical e eu junto com uma imensidão de outros pais pensamos “hoje será uma daquelas noites mal dormidas e repleta de preocupação, sono picado, olhar preso ao celular, ligações para saber como eles estão por horas a fio.
A preocupação invade o coração e começamos com as boas vibrações, na certeza de que vão saber fazer boas escolhas e cercar-se de gente boa.
O mundo que nos rodeia está perigoso, repleto de gente egoísta, narcisista, preconceituosa e maldosa. As drogas comprometem o bom discernimento, as bebidas dão ousadia para ações que não aconteceriam em estado normal, a falta de respeito e empatia validam agressões. A valentia exigida pela sociedade não aceita levar desaforos para casa. A desvalorização das minorias permitem açoitar o outro com palavras, gestos e atitudes despudoradas.
Dito isso, quando eles retornam para casa sãos, salvos e cheios de aventuras para contar podemos abraçá-los e desacelerar nossos corações preocupados.
Damos atenção às suas experimentações e eles pouco percebem das “nossas grandes aventuras” que fazem o coração quase sair pela boca: levar a trupe para uma festa pela estrada de terra escorregadia com o  barro da chuva que acabava de cair a quilômetros da sua casa; ser parada por uma blits da polícia em plena madrugada só de pijama (não vestindo as peças íntimas), pegar a pista em plena madrugada guiada pelo GPS do celular, sair de casa às 4 e trinta da madrugada, percorrer as ruas desertas da cidade para pegá-los eufóricos numa festa do outro lado do mundo, receber o áudio de sua filha chorando nervosa por ter sido deixada pela carona e ter pego um motorista da uber que a aterrorizou junto com suas amigas, tendo que esperar horas para que chegassem sãs e salvas pela ação da polícia.
É temos que ter um coração bem forte, resiliente e amoroso. Por isso digo, quando gira a maçaneta da porta é puro alívio. A filha (O filho)  chegou em casa do passeio escolhido.
Quando gira a maçaneta da porta agradeço a Deus por ter trazido minha “eterna criança” ao aconchego do nosso lar.
Quando gira a maçaneta da porta pergunto se existem mães-pais que dormem despreocupadamente.
Quando gira a maçaneta da porta abraço e beijo mentalmente minha cria, meu maior tesouro.
Quando gira a maçaneta da porta meus medos e fantasmas dão trégua ao meu coração e à minha mente, mesmo que momentaneamente.
Quando gira a maçaneta da porta posso entregar-me ao sono profundo. Não sem antes, ainda permanecer alerta para ouvir suas narrações que, mesmo caindo de sono, escolho escutar para saber mais e mais da sua vida.
Agradeço que ela escolha me contar das suas vivências e eu possa opinar e aconselhar ciente de que confia em mim e aceita minhas censuras e orientações.
Agora então, boa  noite e bons sonhos para todos os pais aflitos. Semana que vem tem mais...




Somos modelos sim!


                                  Somos modelos sim!
                                          Rosângela Silva
Incrível como  vamos percebendo em pequenos detalhes como influenciamos as pessoas ao nosso redor, especialmente as crianças.
Da mesma forma que as observamos para as compreendermos melhor, elas em nós reparam para  também entenderem as nossas ações.
Elas nos observam, nos admiram, nos repetem...
Dias atrás quando dirigia para casa em companhia da minha filha, escutamos o barulho da sirene e era o carro do Corpo de bombeiros em disparada. Ela então, falou “ Deus abençoe, tomara que não tenha acontecido nada grave”. Fiquei muito surpresa,  pois essa fala sempre foi minha e agora ela também  faz uso dela.
Também tempos atrás fui no aniversário da minha sobrinha Kelryn. Acabei de chegar e ela perguntou: “__ Hoje tem textão, tia?”, referindo-se à minha mania de escrever algo para os aniversariantes da família. Mas o que me deixou mais feliz foi que em cima do bolo  estava a vela do seu batizado. Ela também aderiu ao meu ritual de colocar em cima do bolo, além da vela da idade, a vela do batismo. Uma tradição que faço desde o 1º ano da minha filha Raphaela.
Pequenos gestos e palavras reforçam que estamos sendo observados o tempo  todo. As crianças observam para compreenderem  o mundo ao seu redor e vão buscando respostas para as suas dúvidas e incompreensões nas pessoas mais próximas a elas.
E indo mais longe, torna-se preocupante o que as crianças estão colhendo em suas observações ... 
Que percepções estão captando em seu meio familiar?
Que respostas estão tendo quando observam sobre justiça, ética e verdade?
Que modelos estão copiando quando investigam a respeito de política, tecnologia e solidariedade?
Que reações têm obtido quando observam sobre o respeito às minorias, aos pedintes na rua e aos idosos?
Que ideias estão compartilhando sobre administração de conflitos, retomada e revisão de erros, capacidade de tolerância?
Lembremos: elas nos observam, nos admiram, nos repetem...



Filhos na estrada da vida


Filhos na estrada da vida
                                                          Rosângela Silva

O professor de reforço diz à mãe: “Seu filho é inteligente, capaz, mas está muito vadio”.
A mãe tinha duas escolhas: entender o vadio como uma ofensa e desqualificação do seu menino  e fazer um grande escândalo ou  chamar o filho para a conversa, reforçar o que o professor disse e cobrar dele para que deixe de vadiagem.
Ser vadio na fala do professor queria dizer que ele não se esforça, deixa tudo para depois, procrastina, não se dedica aos seus deveres.
A palavra do professor é forte, mas os pais precisam também ser fortes para aceitarem os defeitos dos seus filhos. Defeitos que podem ser momentâneos se foram tratados, mas poderão ficar crônicos, se forem negligenciados.
Não tomar os defeitos do filho para si, chocando-se e tentando oprimir quem quer lhe educar é um bom caminho para fortalecer hábitos saudáveis na educação dele.
Nesta situação creio que cabe à mãe associar-se ao professor e cobrar diariamente os esforços do filho.
Não “acoitadar” o filho, nem apequenar seus valores é um bom caminho para educá-lo.
Pais, mães, em nome da educação futura de seus filhos, parem de “mi-mi-mi”.
Pais, mães: parem de apoiar as faltas dos seus filhos.
Pais, mães: parem de dar colo quando  precisariam de rigor.
Pais, mães: parem de abraçá-los quando precisam de afastamento afetivo.
Pais, mães: parem de mimá-los quando precisam de repreensão.
Pais, mães: parem de apoiar as faltas dos seus filhos.
Ajudar os filhos a crescerem e enfrentarem os dissabores da vida, dá a eles suporte para encararem  os desafios , suportarem as frustrações e crescerem indivíduos mais saudáveis e aptos para caminharem pela estrada da vida.



segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Que aulas vocês andam dando, professores?


Que aulas vocês andam dando, professores?

Rosângela Silva

Dia dos professores! Dia de comemorar a data e refletir sobre os papéis impostos a todos nós, profissionais da área da educação.

Há tempos a escola vem acumulando tarefas e funções, além das atribuições que lhe compete por princípio. Ao lidar com crianças e adolescentes, em tempos modernos,  muita coisa tem sido transferida para a escola, e responder  à  pergunta-título deste texto  é a  proposta desta reflexão.

Temos ensinado substantivo, verbo e advérbio, mas também dado aulas de moral e ética dados os repetidos conflitos que vivemos cotidianamente na sala de aula.

Temos ensinado os estados da água, misturas, eletrólise e transformações termodinâmicas,  mas também dado aulas de higiene, nutrição e saúde diante dos inúmeros casos de precariedade e falta de informação que muitos estudantes chegam na escola.

Temos ensinado álgebra, polinômios, equações e posições relativas entre duas retas, mas também como usar corretamente as redes sociais e o uso benéfico e  ético da internet, pois são gritantes os casos em que o mau uso, reverbera e chega na sala de aula em forma de desentendimentos, provocações e destratos.

Temos ensinado o período joanino, o primeiro e o segundo reinado, aspectos econômicos e humanos da América Latina, os nomes dos rios brasileiros, mas também ações empreendedoras, políticas e cidadãs, temas  que gritam na sala de aula e são negligenciados pela sociedade em geral.

Temos ensinado o significado de cultura, as escolas antropológicas, a diversidade cultural brasileira, mas também  sobre respeito, autonomia e sobre a cultura da paz.

Temos ensinado sobre glândulas endócrinas, as contrações do coração, o sistema simpático e parassimpático, mas também sobre autoconhecimento, como trabalhar em equipe e ter responsabilidade, diante da incômoda falta de amor e camaradagem entre os estudantes.

 Temos ensinado sobre densidade e pressão, teoremas de Pascal e Arquimedes, vasos comunicantes,  mas também sobre sexualidade, respeito ao seu corpo e ao corpo do outro, num ambiente coletivo em que as emoções e questionamentos borbulham e sobre os quais não devemos nos furtar.

Diante de tantas atribuições que o meio nos impõe é justo valorizar os professores e suas lutas,  é necessário enaltecer a sua imagem, é prudente colaborar com o seu trabalho e apoiar suas ações, é urgente devolver-lhes voz.

Salve! Salve professores! Operários e construtores da tão necessária EDUCACÃO, a única ARMA que realmente poderá mudar nosso país.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

É verdade esse “bilete”



É verdade esse “bilete”

Rosângela Silva


Viralizou na internet o bilhete do menino Gabriel Lucca de 5 anos anos, que numa mistura de esperteza com ingenuidade ou criatividade com inteligência, forjou o bilhete como sendo da sua professora Paula.
O desejo de faltar à aula e “ficar de boa” falou mais alto, e ele na sua inocência de criança foi deixando pistas da inverdade contida ali. O caso virou meme, piada, crítica social e política  e contagiou muita gente. Ele traz em si a oportunidade de falarmos sobre a verdade e a mentira na ótica das crianças.
Para clarear podemos usar os estudos de Piaget que  nos traz  um melhor entendimento sobre as fases da moralidade.
Piaget argumenta que o desenvolvimento da moral abrange três fases: a anomia, quando a moral não se coloca, nem se faz presente, sendo as ações da criança regidas pelas necessidades básicas, pois ainda não há consciência do que se é certo ou errado. Um pouco depois, por volta dos 9 – 10 anos de idade, o raciocínio é heteronômico, ou seja, a regra é levada muito a sério e com uma boa porção de inflexibilidade. No final vem a autonomia, quando se percebe que o respeito às regras é feito por meio de acordos e que as regras não devem mudar apenas para atender aos próprios anseios.

É bem verdade que muitos adultos, mesmo na fase da autonomia, ainda precisam ser cobrados tantas vezes.
É bem verdade que, mesmo na fase da autonomia, muitos os políticos desconhecem valores importantes para administrar nossas cidades, estados e país.
É bem verdade que, mesmo na fase da autonomia,  muitos profissionais mostram-se desatentos e irresponsáveis com suas tarefas.
É bem verdade que, mesmo na fase da autonomia, alguns pais e educadores também descumprem regras e quebram acordos.

Mas voltemos a falar das crianças... Pequenas e genuínas, elas  replicam os padrões da sociedade.
Elas buscam caminhos próprios para solucionar desafios e dificuldades.
Elas procuram saídas "mais fáceis" e ingênuas que, nós , com nossa “adultice”, já perdemos.
Elas encantam com sua simplicidade e nos ensinam sobre verdades que nós mesmos já esquecemos ou descremos.
Elas educam nossa consciência já corrompida pela contemporaneidade, quando nos surpreendem com suas falas especialíssimas.
Lidando com crianças devemos repensar nossas verdades e assumirmos a autenticidade que muitas vezes tentamos camuflar sobre nós mesmos, nossas vontades, nossas ideias e convicções.
A criança mente sim. Isso faz parte de uma fase de sua vida, em que está percebendo como o mundo funciona e quando ainda está absorvendo mecanismos para lidar com a vida social e o autoconhecimento.
A mentira passageira, criativa e até engraçada, dita por impulso torna-se inofensiva quando direcionada e orientada por um adulto lúcido e preparado.
A mentira repetida, com teor de maldade, criada com a intenção de prejudicar alguém precisa ser coibida e orientada com seriedade pelos educadores.
E creiam... É verdade esse bilhete!!

domingo, 1 de abril de 2018

Como lidar com os alunos retidos

Como lidar com os alunos retidos!

                                                              Rosângela Silva

http://www.revistadavila.com.br/2018/03/escolas-como-lidar-alunos-retidos/

Início de ano letivo. Os alunos voltam às salas de aulas. Professores recuperaram o fôlego e agora é hora de conhecer melhor sua clientela.
Hoje resolvi falar sobre os alunos retidos.
No começo do ano é muito importante identificá-los e olhar para eles com carinho e atenção.
Partindo do pressuposto de que a repetência foi o melhor caminho  para aquele aluno que rendeu pouco e não atingiu os mínimos objetivos, agora é hora de fazer um novo estudo de caso, dispensar o rótulo  e direcionar melhor seus estudos.
Primeiramente esse aluno deve voltar à escola mais amadurecido e disposto a mudar suas estratégias de estudo e envolvimento com a escola.
É muito importante que as escolas levantem esses alunos, começando por chamá-los para conversar, orientar  e traçar um plano junto com eles, que precisam estar cientes de que podem mudar e que seus professores acreditam em seu potencial.
Se a escola e sua equipe de professores despertarem nele a possibilidade de melhora e partir para os incentivos e ganhos, em vez de ficarem apontando as falhas do ano anterior, pode ser que ele reaja positivamente, passando a acreditar mais em si.
Chamar a família para conversar também é um ponto a favor de um ano letivo renovado e apostando  no reforçamento da parceria.
Agora, se a escola continuar olhando para ele com o mesmo olhar, tudo começa igual, sem novas perspectivas , sem novo projeto, sem novo desafio.
A escola  faz parte de um pedaço da vida da pessoa, no qual  formam-se os valores e amplia-se o conhecimento  do mundo, através de atividades previamente preparadas por profissionais qualificados para  que essa aprendizagem ocorra de forma organizada e interessante.
Alguns alunos apresentam dificuldades para aprender, seja por motivos biológicos, psíquicos, emocionais ou neurológicos. Há também aqueles que chegam à escola com hábitos ruins como procrastinação, preguiça, pouco esforçado, querendo tudo pronto,  sem curiosidade  e hábito de estudo.
Cada caso vai requerer olhares e ações diferenciadas para que o aluno seja atendido sem seu potencial máximo. Alunos aprendem de formas, velocidades e sequências  diferentes.
Alunos se formam nos bancos escolares, eles não chegam prontos, se lhes faltam pré-requisitos , precisamos buscá-los e não ficar culpando a família, o aluno, a escola anterior em que estudou.
Trabalhar com aluno bom é fácil. Algumas se dão ao luxo de recrutar só os melhores, os que lhes darão boa posição no ranking dos vestibulares.
Boa de verdade  é a escola que cria recursos e não desiste dos alunos difíceis. Que tem uma equipe que pesquisa e investiga meios de ajudar os alunos com dificuldades de aprendizagem. E ainda consegue manter um padrão de qualidade para todos os demais que têm a mente brilhante e aprendem facilmente.
Início do ano. Mãos à obra!  À nossa mais grandiosa obra: criar indivíduos melhores e mais capazes dia a dia, independente da sua condição.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Futebol: o jogo das vaidades

Texto publicado pela Revista D'Ávila
http://www.revistadavila.com.br/2018/02/futebol-o-jogo-das-vaidades/
                                               

                                                        

                                 Futebol: o jogo das vaidades


                                                                                Rosângela Silva
Tenho acompanhado a saga de alguns pequenos atletas em busca de reconhecimento e um lugar de destaque nos times de futebol infantis. Eles jogam, treinam, confiam nas palavras dos pais, seguem seus incentivos, se dedicam e sonham com a fama e a riqueza vindas dos campos de futebol.

Alguns pais apostam todas as suas fichas nos pequenos jogadores,  investem tempo e dinheiro na crença de que serão atletas famosos e viverão de futebol.

Nos campos os pais gritam, incentivam, brigam, inflam o ego e fica muito difícil ver o filho perder, ser substituído, ser cortado, ser comparado. Afinal o sonho do filho foi por eles semeado  e é também o seu sonho.
Nesse jogo, os pequenos são desafiados pelo desgaste, pelo despreparo físico, pela torcida, pelas frustrações,  pela família, pelos treinadores, pelos dirigentes dos clubes.
Treinadores não gostam de críticas, não se submetem ao julgamento dos pais, da mídia ou da torcida. E poderiam? E deveriam? Sim, deveriam estar preparados, pois ao se falar de futebol todos os torcedores são um pouco treinadores e críticos.
Se o treinador acerta o time, ganha, o ego infla. Se perde,  é questionado e o ego murcha. E vem as cobranças.
Pior fica, quando,  ao ser criticado,   mostra seu poder de técnico-treinador, com falta de critério e didática,  fazendo represálias ao jogador, deixando-o no banco, cortando dos jogos. Difícil julgar isso.
É certo que às vezes os pais se equivocam. É certo que às vezes a frustração dói. É certo que, por vezes,  as cobranças são injustas. É certo que, às vezes, o investimento dá retorno.
Dirigentes de clubes querem resultados, renda, querem valorizar os passes dos seus jogadores, querem lucros, querem seus alunos passando nas tenebrosas “peneiras”. Querem o clube no topo dos pódios,  lustrando  seu ego.
Inspirados por seus ídolos famosos, os pequenos aprendizes, adquirem as manhas do jogo, dos dribles, dos falsetes, das reclamações.
Também aprendem sobre o futebol-arte, sobre como encantar a torcida. Sobre como ser embaixador das ações positivas.
Podemos dizer que os campos e quadras são espaços  que representam e imitam a vida.
E nesse jogo de vaidades, nossos pequenos sonhadores precisam aprender a viver, especialmente até conseguirem responder a questão: Quanto vale o passe da humildade?

Estudantes: entre o mundo real e virtual

Texto publicado pela Revista D'Ávila
http://www.revistadavila.com.br/2018/01/estudantes-entre-mundo-real-virtual/
                                                

Estudantes: entre o mundo real e virtual


                                                                   Rosângela Silva

Ao observar crianças e adolescentes de hoje, confinados em seus aparelhos tecnológicos, alheios aos acontecimentos da vida real, me preocupo com o que está se passando em suas mentes: que exercícios cerebrais estão realizando? que estímulos estão recebendo? Que áreas cerebrais estão sendo ativadas? Como esses estímulos estão operando em seus cérebros? Que influências as informações recebidas lhes trazem? Que relações estão estabelecendo psíquica e emocionalmente?
São tantos os estímulos  a que eles ficam expostos nos dias de hoje, que podemos dizer que  a  geração multitarefa, oscila sua atenção entre dois mundos: o real e o virtual.
E como o mundo virtual apresenta-se tão mais interessante e convincente, nossos estudantes se veem confusos entre os sentidos e os significados, a sensação física real e representação virtual, a vida concreta e as abstrações. E quanto mais enredados e envolvidos emocionalmente maior prazer e o interesse eles depositam no mundo virtual.
Vivendo um momento em que é necessário fazer sempre mais, saber sempre mais, estar  sempre acessível, conectada e ligada aos acontecimentos, essa geração vive na chamada “Era  da hiper-realidade”, um mundo em que a realidade física se mistura com a virtual e ambas vão  se completando, se integrando, se confundindo.
Quanto mais a tecnologia se expande e se populariza, mais gente  se envolve, se seduz, e mais mudanças ocorrem na vida dessas pessoas.
No mundo hiper-real, o indivíduo mergulha naquilo que se está vendo, participando, assistindo, passando de espectador para um participante que tem a sensação de estar dentro do mundo virtual. Assim, esquece sua realidade e vive a ilusão de pertencer a esse outro mundo.
Como a neurociência  e outras ciências afirmam que não é possível prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo, sendo educadora, me preocupo com a aprendizagem escolar de uma geração com essas características, com o seu desenvolvimento psíquico e, enfim como os estudantes acomodam todas as informações recebidas diariamente.
O cérebro sustentando sua atenção em uma coisa de cada vez, ao tentar realizar duas tarefas simultaneamente, as duas saem pela metade, ficam retidas superficialmente, pois o foco vai oscilar entre uma coisa e outra.
Trazer a tecnologia pra dentro da sala de aula, usar suas ferramentas para atrair a atenção dos estudantes, solicitar trabalhos usando algumas redes sociais é um caminho interessante e bastante viável.
Acredito também que devemos insistir em exercícios e ações que promovam o foco e a atenção na sala de aula visando melhores rendimentos.  A repetição ajuda, o contato físico traz consciência, o debate faz o assunto ser acompanhado para que as falas tenham conexão, o uso do corpo faz a informação ser sentida,  desafios concentram na busca de soluções, trabalhos em grupo trazem co-responsabilidades, o uso de jogos fixa os conteúdos, experiências práticas aguçam os sentidos, pedir explicações para os alunos traz protagonismo,  estabelecer regras claras e tempo para as tarefas organiza,  fazer perguntas dirigidas cobra concentração , reforçar diretrizes dá segurança.
Entre tantas possibilidades, resta a nós, educadores, arregaçarmos as mangas e lançarmo-nos com vontade em um novo e promissor ano letivo.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Sobre pagar micos com os filhos

Sobre pagar micos com os filhos


Rosângela Silva ( Texto publicado na Revista D'àvila)

Semana passada andava pelos camarotes da FAICI, despreocupada, leve, livre e solta. De repente, me estatelei no chão. Duas pessoas super gentis me ajudaram, levantei, tentei me aprumar e segui meio torta. Mico, micos, micão! Na verdade paguei foi um King-Kong.
Tudo o que eu consegui fazer na hora foi rir, rir muito, já que não tinha me machucado. Mas claro, fiquei bastante envergonhada. Chego ao camarote rindo e contando para as pessoas o que tinha em acontecido. Dias depois eu ainda lembrava do tombo porque passei a sentir umas dorzinhas pelo corpo.
Fiquei pensando no que um tombo, um mico nos ensina. Refleti sobre o desajuste físico e emocional que um tombo em público ou não,  provoca na gente. O que será que esse tombo quis me dizer? Preciso estar mais atenta? Ou me acalmar mais? Ele quis me ligar mais à realidade, justo eu?
Outra situação ligada a pagar mico que vivi dia desses foi a homenagem aos Pais do Colégio ESCALA. A proposta foi “Brincadeiras de chão” e os pais tinham que sentar-se no chão para brincar com seus filhos. Isso era uma provocação, em tempos em que estamos super-atarefados, cheios de compromissos, ocupados por demais,  as vezes em que, como pais,  nos propomos a isso estão cada vez mais escassas.
Pais são  o chão, a  base, o alicerce para seus filhos, abaixar-se para falar eles, ficar no mesmo plano no olhar, colocar-se disponível faz com que sintam-se  cuidados, amados e essa atitude ainda aumenta os vínculos e a confiança mútua.
Mas o mico não era só esse. Em cada sala que passavam, os pais iam sendo maquiados por seus filhos e iam compondo com outros adereços um personagem de palhaço.

Por que isso? Qual era a proposta? Os pais aceitaram passar por isso?

Sim os pais aceitaram sabem por quê? Por mostramos a eles quais as lições que passar por um mico na frente dos filhos ensina a eles.
Quando um pai aceita  jogar-se no chão,  deixar-se maquiar, colocar uma “gravatona” ele exorciza sua vergonha,  ele aceita passar pelas propostas e mostra-se ousado e corajoso perante seu filho. E com isso, ele incentiva-o a enfrentar os obstáculos e dificuldades e a não ficar à margem dos acontecimentos, apenas como expectador.
O pai também mostra-se flexível e bem humorado. Essa é outra lição importante aos filhos: passar pelas provações com bom humor e flexibilidade.
Para os filhos desses pais,  as recordações vividas nesse dia ficarão para sempre em suas memórias como referência de alegria e ousadia.
Sabemos que os micos não param e não temos previsão de quando acontecerão, por isso,  podemos seguir pela vida porque eles chegarão, quer queiramos ou não.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

O papel dos pais é intransferível

O papel dos pais é intransferível


Rosângela Silva (Texto publicado http://www.revistadavila.com.br/2017/07/o-papel-dos-pais-e-intransferivel/)
O nascimento de um filho enche a casa de alegria, de festas, de movimento, de orgulho, ao mesmo tempo em que muda  as  rotinas, muda o cotidiano.
Ter filho dá trabalho e exige resignação, doação, insistência, repetição, acompanhamento e nem todo pai-mãe está preparado para essas tarefas.
Com planejamento a vida já muda bastante, imagina então, quando o pimpolho chega de “surpresa”…
A aventura materna (paterna) é deliciosa e cheia de alegrias. Acontece que na mesma intensidade,  vêm as responsabilidades, as cobranças, as exigências e as dificuldades de cada fase.
Os problemas intensificam hoje por tratar-se de uma geração de pais em que boa parte cresceu mimada,  cercada de cuidados e bajulações e que não aprendeu a esperar, a ceder e a cuidar do outro.
Os pais querem espaço, querem diversão, querem curtir e aproveitar a vida.
A birra do filho atrapalha o acesso às redes sociais.
A hora da comida interrompe o papo do whatsApp.
A festa da escola coincide com a partida de futebol do seu time favorito.
A lição de casa do filho precisa ser feita bem na hora do descanso.
O pedido para brincar chega junto com a vontade de assistir mais um episódio da série.
A decepção amorosa da filha escolhe a mesma época de pico no serviço que te deixa exausto.
A conversa sobre a escola, os amigos e as novas experiências combina com a época da sua cólica ou enxaqueca.
E são tantas as exigências e ocorrências que percebemos os pais “adoecidos”, cansados, contrariados, indispostos para educar. Eles querem viver sem toda aquela amolação. Querem momentos de paz. Querem que uma única conversa baste para a obediência. Querem falar e ser atendidos sem contrariedades. Querem facilidades. Querem encurtar a rota.
Mas, não há como deixar por isso mesmo. A missão de cuidar, olhar, acompanhar é dos pais. Não dá para absolvê-los dessa tarefa. Mesmo cansados, compromissados, exigidos ao máximo no dia a dia, quem deve dar conta dos indivíduos que colocou no mundo são os pais. Essa é uma tarefa intransferível.
Educar dá trabalho, mas quem ama educa.
Educa porque seu filho será seu para o resto da vida.
Educa porque deseja por no mundo pessoas melhores.
Educa porque quer ser acolhido na velhice.
Educa porque sabe do seu compromisso para com a sociedade.

Manda nudes

                                                   Manda nudes
                                                    Rosângela Silva
(Texto publicado na Revista   http://www.revistadavila.com.br/2017/06/manda-nudes/)

Relações cada vez mais vazias, pessoas cada vez mais egocêntricas, adultos agindo como adolescentes na resolução de seus problemas e na educação de seus filhos.
Uma legião de crianças e adolescentes perdidos, educados pela internet, sem ter com quem dividir suas dores e aflições.
Uma legião de crianças cuidadas por babás, avós e cursando os períodos integrais das escolas.
Pais extremamente democráticos, permissivos.
Pais conectados na rede e desconectados da sua prole.
Pais estressados com o trabalho, deveras ocupados.
Pais solicitando espaço para si, para seu descanso, para seu lazer.
E nesse cenário a formação ética, afetiva e psicológica das crianças e adolescentes perde lugar.
A tecnologia avança, ganha espaço, as redes sociais ganham atenção, o virtual mistura-se com a realidade, comunidades e grupos ocupam o tempo que deveria ser gasto com relações reais, toques, afagos, diálogos.
Os apelos eróticos chegam cedo demais, o sexo pauta-se no prazer imediato, assistido explicitamente nos vídeos recebidos, enviados e compartilhados.
Namoros e ficadas antecedem o autoconhecimento, a autovalorização e tudo podem.
E a moda do “manda nudes” chega veloz, pegando carona na rotina do vazio, do exibicionismo, do “fiz porque ele pediu” e “mandei porque recebi”, de uma pobre geração que desconhece o cuidado, o respeito e a responsabilidade para com o outro.
Os pais acham-se o máximo falando de meios contraceptivos e sentem que cumpriram seu papel fazendo isso.
Depois, descabelam-se quando o nude de sua (seu) filha (o) vaza na internet.
Mas se tudo pode tudo aceito, tudo concordo descabelar-se por quê?

Ser adolescente hoje

Ser adolescente hoje


Rosângela Silva (Texto publicado http://www.revistadavila.com.br/2017/06/ser-adolescente-hoje-rota-educacional/)

Todos passamos pela adolescência e sofremos as dores e delícias dessa fase.
Certamente mais dores do que delícias, já que esse é um momento turbulento de autodescobertas, de mudanças físicas e psicológicas, de se perceber um ser único no meio de tantos iguais.
Lembro que ao mesmo tempo em que crescia e podia escolher também me assombrava o medo de errar. Ao mesmo tempo em que podia decidir, sabia que teria que aguentar as consequências da decisão. Ao mesmo tempo em que o novo me assustava,  me dava incentivo para encarar os desafios.
E como é ser adolescente hoje?
Cercados pelos apelos consumistas e tecnológicos parecem alienados e pequenos, perdidos num mundo tão vasto.
São egoístas, hedonistas, manobráveis.
O preocupante da adolescência hoje é que diferente de tempos atrás, os riscos são maiores e as maldades têm muito mais requinte de crueldade.
O bullying não é apenas um sarro repetido ou um apelido colocado, ele vem recheado de ações cruéis, malignas, atitudes previamente planejadas visando o sofrimento físico e emocional do indivíduo. E numa cadeia os mais fortes tripudiam sobre os mais fracos.
 O consumo de bebida não é apenas para ficar relaxado e curtir com menos vergonha na festa, a bebedeira é para chegar ao extremo, ao coma alcoólico ou até a morte.
Os trotes não são apenas um rito de iniciação com desafios, são para mostrar poder sobre o outro, subjugá-lo e humilhá-lo.
Há prazer em curtir e dar links em postagens negativas e seguir correntes que promovem a dor e a maldade.
As angústias e inquietações não acabam no choro, na birra, no protesto repetitivo. Hoje eles vão mais longe. Querem riscos. Querem adrenalina e a encontram em rachas, escaladas em prédios, jogos que incitam  a dor e a morte, uso de drogas, autoflagelação, aceitação de convites duvidosos.
 Perdidos, feito fantasmas, “zumbizando” pelas festas, praças, ruas e escolas, não dimensionando o valor da vida, nem percebendo as suas belezas, desperdiçando tempo em redes sociais, afundando no vazio  e no tédio, suplicado por presença calorosa e compaixão.
Cuidemos dos nossos jovens, pois colheremos os frutos que plantamos nos jardins das nossas casas. E ansiamos para que seja bem saboroso.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Delação premiada no contexto pedagógico

                                     Delação premiada no contexto pedagógico
                                                           Rosângela Silva
Texto publicado na Revista http://www.revistadavila.com.br/2017/02/delacao-premiada-pedagogico-educacao/


     Ouvimos falar muito sobre o termo delação premiada nos últimos tempos. A delação premiada é uma troca de favores, na qual o acusado fornece informações ao juiz em troca de um prêmio que lhe concede a redução de sua pena em 1/3.
     Na verdade a delação premiada corta caminho na investigação e com esse atalho há mais rapidez para a solução dos crimes, beneficiando o Estado.  Ela é usada nos casos específicos como os de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, latrocínio, estupro, sequestro e homicídios.
     Como educadora fiquei pensando no que ensinaríamos aos alunos se instalássemos este sistema dentro das escolas. Embora saiba que muitas usam esse método, resolvi pensar nos prós e contras dentro do sistema escolar.
     Delatar o outro nunca foi visto com bons olhos, tanto que os delatores são chamados de  “dedo-duro”, “X9”, “fofoqueiro”,  “Judas” entre outros apelidos que se apregoam.
     Desta forma, é preciso fazer algumas reflexões: Incentivar a delação é um ato que deve ser incentivado em casa e na escola? Como se sente o delator? E o delatado? Quais as consequências para eles no meio social? O que trabalhar com o delatado, que é incapaz de assumir os seus atos? Como levar a criança ou adolescente a reconhecer seu erro, sem usar a via da delação? Que percepções ficam para o delator e para o delatado? A delação premiada faz o delator mudar de postura ou o incentiva a livrar a sua pele e se dar bem?
      A administração das questões éticas e morais em casa e na escola deve ser muito pensada e avaliada, pois as condutas tomadas pelos adultos refletem nas percepções e atitudes dos alunos, cidadãos já hoje e responsáveis pelo nosso futuro.  Ações ligadas à verdade e mentira, certo e errado, justo e injusto, ético e não ético frequentemente rondam as famílias, os professores, as salas dos coordenadores e diretores, que têm uma missão difícil ao analisar e avaliar cada caso, tomando decisões apropriadas e educativas.
     Com certeza essa missão precisa passar por processos de  análise e reflexão, sem deixar de lado a afetividade, combinando investigação, orientação e “consequentização”.
     Piaget que também estudou as fases do desenvolvimento moral das crianças/adolescentes, aponta que eles passam por vários estágios, indo da fase da inexistência de regras, passando por achá-las invioláveis e sagradas, indo para o momento de vigiar e cobrar as regras nas atividades coletivas até a chegada da autonomia, quando agem de acordo com princípios aprendidos.
     Enquanto a autonomia não chega, cabe aos  pais, professores e familiares trabalharem incessantemente as ações desejadas para que a criança/adolescente se transforme num adulto correto e valoroso. Fingir que não viu ou ouviu algo inadequado, esperar que a criança/adolescente por si só se corrija, defender os filhos diante de erros cometidos ou buscar justificativas para explicar seus erros são atitudes que atrapalham a formação moral das crianças/adolescentes.
     Tanto em casa como na escola os problemas devem ser investigados, apurados e concluídos. Usar o recurso da delação premiada buscando que o irmão, amigo ou colega da classe denuncie o infrator mostra primeiramente uma incapacidade do adulto em gerir o problema, apelando para um jeito mais rápido e pouco ético para solucionar o problema.
     Quando um professor, pai ou diretor investiga uma situação, busca soluções, indaga, levanta hipóteses, questiona, compara fatos, mostra coragem e ousadia, faz simulação da ocorrência,  ele passa a ser admirado pelos alunos ou filhos que o enxergam como alguém interessado em desvendar o problema, habilidoso, cuidadoso, apto para gerenciar conflitos e passa a ser visto como alguém confiável.
      Tudo isso dá muito trabalho e na maioria das vezes os adultos têm preferido tomar os atalhos a usar seu tempo na solução dos conflitos perdendo grande oportunidade de conhecer melhor os seus filhos/alunos.