quinta-feira, 7 de julho de 2016
sexta-feira, 24 de junho de 2016
SER FAMÍLIA DO ESTUDANTE
SER FAMÍLIA DO ESTUDANTE
Rosângela silva ( artigo publicado na Revista www.revistadavila.com.br)
Família e escola devem ter uma parceria forte e sólida em benefício do sucesso pessoal e escolar do estudante. Sendo escola particular, a visita da família para tomar conhecimento da proposta pedagógica, equipe docente, segurança, dependências físicas, material didático é crucial para que a escolha aconteça com clareza e haja um casamento entre as aspirações da família e da escola.
Na escola pública, embora muitas vezes as famílias não possam escolher a instituição, nada impede o agendamento de uma entrevista com o diretor ou coordenador para um conhecimento mais aprofundado do trabalho ali realizado.
Cabe à família educar suas crianças e transmitir a elas valores positivos, fundamentais à convivência social. Os modelos recebidos pelas crianças dentro das famílias são determinantes para sua vida pessoal e social.
Para começar é preciso que dentro da família se estabeleça regras e limites sempre. Pode parecer contraditório, mas a verdade é que as crianças e adolescentes clamam por isso. As regras dão segurança e determinam modos de agir e responder às questões impostas pelo cotidiano.
Outra forma da família atestar seu interesse na vida estudantil do aluno é providenciando materiais solicitados com presteza e pontualidade, dando condições para que o trabalho se efetive com mais agilidade na sala de aula.
É muito bom também que a família oriente os filhos a seguirem o regulamento da escola, evitando estimular regras especiais para eles e procurem evitar faltas desnecessárias em dias letivos.
Participar da vida escolar, frequentar as reuniões e eventos, cobrar a realização dos deveres e estudos diários também fortalecem a parceria e mostram ao estudante o desejo, dentro de casa, do seu sucesso escolar.
Cabe às famílias apoiar o trabalho das escolas, uma vez que conheceram a linha de trabalho da instituição, questionaram o modo dela atuar diante das ocorrências disciplinares, discutiram sua visão filosófica e formas de comunicação, precisam confiar que as ações dos profissionais estarão coerentes com sua proposta educacional.
Dar credibilidade ao trabalho feito pela escola valida sua escolha e mostra ao estudante que a família apoia e está do lado da instituição. Lembrando aqui, que num conflito, sempre é muito bom ouvir os dois ou mais lados em questão, com o intuito de entender a ocorrência de forma completa. Tanto para a escola, como para o estudante, isso mostra o interesse e acompanhamento da família na vida do aluno. Caso seja necessário é muito válido que a família solicite uma retratação por parte do estudante.
Certamente uma boa escola, procurará agir com responsabilidade e seriedade nas ocorrências diversas que se listam diariamente em suas dependências, mas todas são passíveis de erro. Quando a escola errar, deve ser questionada e levada a pensar suas ações.
Cabe também às famílias agir com confiança e generosidade nas críticas. Uma vez que haja um equívoco por parte da escola, de nada adiantará falar mal dos profissionais na frente do filho envolvido, alarmar outros pais no portão ou ainda postar a ocorrência nas redes sociais. A ação assertiva é procurar a direção ou coordenação para conversar e juntos encontrarem o melhor caminho para solucionar a questão.
Aprender com os erros é muito bom para todos os envolvidos, tirando uma lição positiva dos episódios ruins se aprende grandes ensinamentos. Saber que o erro é a porta para a aprendizagem ensina a todos, pais, alunos e escola a superar dificuldades, rever ações, retomar e consertar atitudes equivocadas, possibilitando o exercício da humildade e da sabedoria.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
É pra você...
É para você
Inspirada na música Per Te - Jovanotti.
É para você que as pitangas amadurecem,
É para você que a lua fica bem cheia,
É para você todos os sonhos de todas as padarias,
É para você a música
“Ela só que paz”,
E a cor de toda a
maquiagem.
É para você o 19 de junho,
É para você que se criou o sushi,
É para você tudo que existe, NINANÁ, NINAIÊ.
É para você que às vezes venta mansinho,
É para você o sorriso dos amigos,
É para você as festas
e carinhos,
É para você o “vamos cheirar a noite”
É para você a cor do sol amanhecendo,
E os desenhos formados nas nuvens,
É para você o suco da laranja no café da manhã,
É para você o vermelho do molho do macarrão,
É para você tudo que existe, NINANÁ, NINAIÊ.
É para você o perfume das flores abertas,
É para você a vitrine decorada,
É para você o passeio no shopping,
E o cinema à tarde,
É para você o acordar tarde no sábado,
A poesia que sua mãe escreve,
É para você o domingo preguiçoso,
É para você a rua sem trânsito,
É para você tudo que existe, NINANÁ, NINAIÊ.
É para você o fazer e o refazer,
É para você a amoreira no quintal de casa,
É para você o tapete colorido de flores sob as árvores,
É para você que existem os temperos,
É para você que existe o sim e o não,
É para você o carinho da família,
É para você tudo que existe
NINANÁ, NINAIÊ...
quarta-feira, 18 de maio de 2016
Ser aluno
O terceiro texto fala como ser um aluno de sucesso, de que forma a família podem contribuir nessa empreitada e os anseios da escola.
SER ALUNO
Rosângela silva ( artigo publicado na Revista www.revistadavila.com.br)
Ser aluno é colocar-se na condição de aprendiz e isso é possível ocorrer muitas vezes, todos os dias. Ninguém torna-se aluno apenas por sentar-se nos bancos escolares. Se encontra na situação de aluno, a criança que observa a vó tecer um tapete, a outra que assiste a mãe fazer um bolo, o menino que vê o pai consertar o pneu, a garota que acompanha o irmão jogar damas, um adulto que assiste à uma palestra on-line, uma pessoa que escuta uma entrevista no rádio. O texto “Ser aluno” procura retratar o perfil do bom estudante e de que forma a família e a escola podem colaborar para o seu sucesso.
Para isso é preciso situá-lo no atual contexto social. Hoje vivemos uma sociedade com grande crise ética, política e social na qual os valores positivos e a capacidade de empatia e respeito estão em queda. A família também vive seus conflitos, assim como a escola.
Muitos pais parecem perdidos quanto ao seu papel, quanto ao que o filho pode ou não em cada fase que vive, quanto à forma melhor de educar, quanto ao modo de aplicar sanções, quanto à maneira de estabelecer regras.
Crianças e adolescentes cada vez mais hedonistas, mimados e centralizadores chegam às escolas, que muitas vezes também não sabem como lidar ou estabelecer seus limites.
A escola, por sua vez, espera que cheguem ao seu espaço em qualquer tempo que for, alunos que primeiramente saibam acatar comandos, regras e respeitar autoridades. Cabe às famílias estabelecerem esse critério, para que seus filhos tenham dimensão de como agir e viver adequadamente nesse espaço coletivo que necessita de ordem, regras e respeito entre os que convivem.
Como chegar às escolas com esse preparo, se muitas vezes os filhos tomam as decisões em casa, mandam e decidem conforme seu interesse próprio, sem ter consequências colocadas que os levem a aprender e amadurecer com os erros?
Escolas incentivam organização. Um aluno organizado tem vantagens sobre colegas que não possuem essa característica. E um adulto organizado começa a ser moldado em casa quando a a criança, guarda seus brinquedos, roupas e sapatos, quando um adolescente arruma sua cama e suas gavetas, por exemplo.
Professores alegram-se com alunos estudiosos e responsáveis com seus deveres. Estudar diariamente e fazer os deveres de casa são atitudes que contribuem para o sucesso de qualquer estudante. Esse é um grande desafio para pais e escolas, pois a maioria das crianças e adolescentes têm dificuldade de cronometrar seu tempo e dividi-lo entre os estudos e o lazer. Especialmente os adolescentes, perdem-se diante da sedução dos aparelhos tecnológicos, que enfeitiçam e roubam tempo. Tempo que poderia ser melhor aproveitado, inclusive com propostas familiares de lazer mais atraentes e que levassem a garotada a sair do sedentarismo, que certamente contribuiriam para um desenvolvimento mais saudável e completo.
Educadores sabem da importância da autonomia para o sucesso escolar. As famílias podem contribuir com as escolas estimulando as crianças nesse aspecto. Desde cedo é muito importante que os pais não façam por seu filhos, aquilo que já são capazes de realizar sozinhos. Assim, vão crescendo autônomos, capazes de agir e fazer as tarefas que lhe chegam, com mais independência. Diversas oportunidades de escolha podem ser dadas às crianças e adolescentes para que treinem a capacidade de escolher por si mesmos e assim exercitarem momentos de autonomia.
Na escola, os mestres valorizam também a iniciativa, que é outro quesito importante que agrega sucesso aos estudantes. Aqueles que não necessitam de supervisão frequente, que são capazes de iniciar propostas, enfrentar desafios, agir espontaneamente sobressaem-se sobre os demais estudantes. Os pais podem colaborar para que seus filhos sejam sujeitos mais prontos para realizar as tarefas, estimulando e elogiando suas iniciativas. Muitas vezes, até sem querer ou perceber os pais limitam o interesse e a iniciativa de seus filhos e isso poda a sua disponibilidade natural e o seu ânimo.
Alunos que iniciam propostas e são capazes de concluí-las também têm grande reconhecimento na escola. A procrastinação é hoje um dos grandes desafios dos professores na sala de aula, pois muitos alunos resistem, enrolam e vão deixando os compromissos para depois. Em casa, os pais ajudam muito, se cobrarem a finalização das tarefas, estabelecendo tempo e a forma adequada de execução. Crescendo assim, as crianças vão se sentindo confiantes, capazes e treinando a habilidade de realizar as tarefas que lhe são postas.
Para os professores a conclusão e entrega pontual das tarefas credita ao aluno o respeito aos prazos e a capacidade de corresponder às solicitações.
O fator atenção é um quesito importante na sala de aula. Grande parte dos alunos de hoje têm dificuldade de concentrar sua atenção nas aulas, sejam elas expositivas ou até mesmo práticas.
O acesso a milhares de informações do mundo interativo é positivo, porém, ao mesmo tempo dificulta a capacidade de atenção prolongada, o que resulta em estudantes agitados, impulsivos e bastante desatentos. O excesso de estímulos acaba saturando e impossibilitando o exercício da atenção.
Os espaços escolares clamam por alunos participativos, questionadores, que dão ideias e sugestões. Alunos assim, enriquecem a sala de aula, engrandecem os conteúdos, ampliam as oportunidades de aprendizagem. Por isso, as famílias devem cuidar para que haja em suas casas espaço para perguntas, ideias, criações e formas diversas da criança participar da dinâmica das tarefas, dos projetos e da organização cotidiana.
Dessa habilidade forma-se o aluno que não leva dúvidas para casa, que levanta questões, que escava os conteúdos até chegar à compreensão do assunto.
E a escola se agiganta quando alunos compartilham os conhecimentos com os colegas e dividem o conteúdo que aprenderam. Essa é uma habilidade importante que contribui para ambos os lados. De um lado o aluno ao explicar ou tirar dúvidas dos seus colegas, reforça ainda mais e amplia o seu próprio conhecimento. Já o colega que recebeu a informação pode se apropriar de algo que ignorava.
Crédito mesmo tem na escola o aluno esforçado. O esforço, o desejo de conquistar algo, a braveza para superar dificuldades e lacunas, também contam muito e diferenciam um aluno do outro.
Essa reflexão pretende compartilhar informações e lista algumas habilidades pessoais que ajudam e levam o estudante a “tirar de letra” a escola, sem a pretensão de padronizar pessoas, comportamentos ou conceitos.
Pessoas são singulares. Alunos são todos diferentes e chegam à escola cada um com suas características. De forma alguma deve-se esperar que cheguem formatados, prontos e robotizados.
Num mundo globalizado e tecnológico como esse, os alunos chegam à escola com muitos conhecimentos. Cabe à escola oferecer espaço para que eles reelaborem esses conhecimentos, façam ligações, vejam esses domínios sob novas perspectivas, com novas “aplicabilidades” e também possam empregar e produzir novas informações, criar novos conteúdos, passando de recebedores para produtores de cultura. Talvez seja esse um caminho para envolver os alunos com a aprendizagem e fazê-los comprometerem-se com ela.
terça-feira, 19 de abril de 2016
SER PROFESSOR
O segundo texto “Ser professor” elenca o papel desse profissional nos tempos atuais. O terceiro texto “Ser aluno” coloca em pauta a necessidade de conhecer o perfil do aluno e suas necessidades. Por fim, o último texto “Ser família do estudante” discute a participação das famílias impulsionando o sucesso escolar das crianças e jovens.
SER PROFESSOR
Rosângela silva ( artigo publicado na Revista www.revistadavila.com.br)
Rosângela silva ( artigo publicado na Revista www.revistadavila.com.br)
Hoje no nosso segundo texto “Ser professor” o texto elenca o papel desse profissional nos tempos atuais. Peça norteadora do processo ensino-aprendizagem, o professor é o grande responsável pelo desenvolvimento e encaminhamento da sua turma. É ele quem planeja, entusiasma, articula ideias, escolhe metodologias, integra saberes e linguagens e tem o mapa de onde quer chegar.
Coragem, ousadia, criatividade e capacidade de inovação são quesitos importantíssimos para professores que querem fazer a diferença na vida de seus alunos, especialmente nos dias atuais em que os alunos esperam que tudo seja rápido, eficiente e funcional.
Como o conhecimento renova-se a cada dia e pode chegar até a se contradizer, tamanha rapidez das pesquisas, teorias e mudanças, o professor precisa ser um aprendiz contínuo e um grande curioso. Aquele que na área da educação (ou qualquer área) acredita já saber tudo ou já estar completamente pronto, pouco poderá ensinar aos seus alunos, especialmente sobre humildade e capacidade de recriar-se .
Professor é mediador de aprendizagem, mas para que isso aconteça precisa conhecer seus alunos, saber um pouco dos seus gostos e preferências, seus interesses e sonhos.
Integrar conhecimentos é outra tarefa que cabe ao professor, juntando os conteúdos, aproximando saberes, misturando assuntos que aparentemente são desconectados.
Ser ou não um bom professor depende da capacidade de entrega de cada profissional ao seu ofício. Há aqueles que ao adentrarem à sala de aula, entregam-se com tanto amor, dedicação e profissionalismo que não deixam para trás nenhum dos seus aprendizes. Caminham junto com eles e vão extraindo de cada um, aqueles saberes escondidos, rejeitados, desconsiderados e assim, vão impulsionando o conhecimento a brotar. Criam condições para seus alunos caminharem, removendo obstáculos, pegando atalhos, tirando pedras do caminho. São professores que abrem-se para o outro, dando significado às pessoas, à escola e à aprendizagem.
Estes não são apenas “dadores” de aula, são de fato educadores. Dar aulas é bem mais fácil do que ser professor. Dar aulas implica em planejar, organizar as estratégias e passar seu conhecimento. Ser professor é mergulhar nas profundezas do mar incerto e desafiador, que é a sala de aula, e ir se aprofundando, explorando, conhecendo de verdade aqueles que ali estão.
Numa sala de aula, repleta de pessoas diferentes, com valores, crenças, vontades, ritmos, ideias e sonhos pessoais confrontando-se e até chocando-se constantemente, cabe ao professor acolher essas diferenças. Ao mesmo tempo precisa integrar e misturar todas essas informações para extrair dessa mistura conhecimentos e aprendizagens para serem compartilhados entre todos.
Ser professor é se deixar envolver por cada aluno, é indignar-se quando ele não corresponde, não quer avançar, rejeita “a comida” que se está oferecendo. É continuar insistindo, buscando e acreditando que haverá outro jeito, outra forma dele aceitar seu alimento, seu conhecimento.
Professor, ser responsável pela transformação social que todos sonhamos e que sabemos começar em casa e se solidificar nos bancos escolares.
Professor, ser admirável, que dá referências, que projeta, que desvenda mistérios, que provoca insights, que deve cercar-se de pensamento reflexivo e crítico sendo modelo e fonte de inspiração ao seu aluno. E aqui, ouso plagiar a ideia de Rubem Alves de que o aluno quando admira seu mestre, faz seu coração dar ordens à inteligência para aprender as coisas que o mestre sabe. Saber o que o mestre sabe, passa a ser uma forma de estar com ele. Aprende porque ama. Aprende porque admira.
Um bom professor é aquele que junta três saberes importantíssimos que o capacita para estar à frente da sala de aula. O primeiro saber é domínio de seu conteúdo, sem esse conhecimento nenhum professor inspira, convence, causa espanto ou encantamento. Outro saber necessário está ligado às práticas usadas em sala de aula. O uso de eficientes e interessantes recursos metodológicos atrai, motiva e aproxima o aluno da aprendizagem. O terceiro saber trata da habilidade de relacionar-se. Tendo bom autoconhecimento e empatia o professor saberá lidar com os conflitos dando bom encaminhamento a eles, não se deixando atingir emocionalmente por situações que podem sabotar a sua aula. Esse quesito contribui para que o professor coloque-se no lugar do aluno, entenda suas motivações e possa atuar com inteligência e condição emocional positiva na resolução dos problemas.
O reflexo das mudanças da sociedade dos últimos tempos associado ao descaso dos governantes com a educação em nosso país tem como resultado o fato de que cada vez mais chegam à sala de aula, professores mal formados, sem domínio do conteúdo que lecionam, escrevendo mal, inseguros quanto ao formato de sua aula, às vezes autoritários demais e em outras vezes frouxos com a disciplina. Também chegam duvidosos quanto aos recursos pedagógicos, às metodologias e às estratégias, sem saber por vezes, como e por onde começar. E tão grave quanto às dificuldades anteriores, chegam sem conhecerem a si mesmos, nem sua clientela e suas fases de desenvolvimento e motivações.
Todas essas defasagens vão dificultar o entrosamento e levam a uma ruptura grave de comunicação, que torna ineficiente a aprendizagem.
Somando-se a tudo isso, esses professores entram em contato nas salas de aula com a chamada “geração multitarefa” que se apresenta robotizada pela tecnologia, inquieta e com dificuldade de permanecer atenta, que muda rapidamente seu ponto de concentração, que não sabe esperar e deseja que tudo seja rápido, eficiente e prazeroso, que quer resultados, com pouco esforço, que tem pouca paciência e capacidade de contemplação. E mais, falta-lhe limite e educação vindos de casa.
Tem-se então um quadro caótico em que o professor acaba não dando conta de executar bem o seu trabalho, sente-se sobrecarregado com tantas atribuições que lhe são dadas, o que traz desmotivação, frustração e desânimo a uma boa parcela desses professores. Poucos encontram força na sua motivação pessoal para fazer a diferença.
SER PROFESSOR, ou melhor SER BOM PROFESSOR diante de tantas adversidades é o grande desafio. Conseguem ser bem sucedidos no ofício aqueles que de fato têm amor pela profissão e conseguem encontrar realização com os pequenos feitos diários.
Esses professores se alimentam da energia poderosa que vem das crianças e adolescentes, assim como da sua alegria, da sua vivacidade, da sua brincadeira despretensiosa, da criatividade que aflora de suas invenções, do riso e da gargalhada que contaminam e fazem dar graça àquilo tudo que o mundo adulto racionaliza.
Para terminar uma fala do grande professor, Paulo Freire, que com seu texto simples, quase nos dá a receita pronta de como exercer a profissão: “É assim que venho tentando ser professor, assumindo minhas convicções, disponível ao saber, sensível à boniteza da prática educativa, instigado por seus desafios que não lhe permitem burocratizar-se, assumindo minhas limitações, acompanhadas sempre do esforço de superá-las, limitações que não procuro esconder em nome mesmo do respeito que me tenho e aos educandos”.
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sexta-feira, 18 de março de 2016
SER ESCOLA
O texto "SER ESCOLA" é o primeiro de uma série de quatro textos que julgo sustentarem a rede de relações dentro do espaço escolar garantindo o entendimento das funções e atribuições de todos os envolvidos no processo ensino-aprendizagem. O primeiro texto “Ser escola” apresenta uma reflexão sobre as mudanças necessárias às escolas e a importância da coerência com sua proposta pedagógica. O segundo texto “Ser professor” elenca o papel desse profissional nos tempos atuais. O terceiro texto “Ser aluno” coloca em pauta a necessidade de conhecer o perfil do aluno e suas necessidades. Por fim, o último texto “Ser família do estudante” discute a participação das famílias impulsionando o sucesso escolar das crianças e jovens.
SER ESCOLA
Rosângela silva ( artigo publicado na Revista www.revistadavila.com.br)
Rosângela silva ( artigo publicado na Revista www.revistadavila.com.br)
Discutir qual é o verdadeiro papel da escola nessa sociedade em constante transformação e os meios para que ela promova o crescimento dos indivíduos de forma sensibilizadora e provocadora de mudanças que agreguem valores às relações através dos conhecimentos obtidos em seu espaço é um assunto relevante atualmente na área da educação.
Esse é um tema que envolve os educadores compromissados, preocupados em promover uma escola significativa na vida dos estudantes.
A sociedade muda constantemente e a escola que está inserida em seu meio também precisa mudar, pois tem papel essencial na construção de indivíduos críticos, atuantes e produtores de cultura.
No dia a dia, se faz necessário articular os tempos e espaços, explorando materiais diversos, trazendo as vivências para a sala de aula e os demais espaços, criando projetos que promovam situações de aprendizagem e que façam o aluno pensar e construir seu conhecimento na interação com seus pares.
Equalizar ritmos e condições de aprendizagem num espaço que agrega diferentes alunos é um outro grande desafio atualmente para as escolas. Ser uma boa escola é conseguir lidar com o aluno que grita por aprendizagem com aquele que precisa de estímulos e impulsos o tempo todo.
As novas configurações sugerem novos modelos pedagógicos. É necessário que se construa uma escola com currículo moderno, com propostas que atendam às novas demandas, com um novo conceito de seu papel e função.
Longe de ser a única detentora do saber nos dias atuais, a escola precisa reformar sua crença de única fonte de conhecimento e buscar novas formas de preencher seu espaço modificando as relações entre os indivíduos e a aprendizagem.
De forma prática como ser uma escola com excelência em tempos modernos?
Comecemos pela elaboração da Proposta Pedagógica. Uma boa escola tem clara e definida a sua linha de trabalho, a sua identidade. A partir daí deve aproximar suas intenções e ações, estando sempre pautada no modelo pedagógico criado.
Agir em conformidade com sua proposta pedagógica é o que dá credibilidade a uma instituição de ensino. Uma bela proposta desarticulada das ações cotidianas é apenas um engodo, um disfarce, uma lista de palavras sem sentido real para o processo pedagógico.
A partir daí é preciso pensar em muitas questões…
Como está formatado o sistema de avaliação? Há coerência com o fazer pedagógico diário? Como se faz a recuperação? Como a recuperação é vista por todos os elementos envolvidos? Ela de fato pretende recuperar deficiências ou é apenas cumprimento de protocolo? Ela é realmente pensada e organizada para os alunos e suas dificuldades?
Como são organizados os projetos e eventos? Eles são temáticos? A estrutura deles é condizente com os ideais da instituição? Vai homenagear as mães? Qual ênfase vai ser dada? O formato escolhido está coerente com os princípios da escola e com a motivação inicial da homenagem? Qual é o intuito da Festa Junina? E da formatura? E da festa de encerramento do ano letivo?
A relação com os pais é aberta? Eles são considerados dentro do processo? Há espaço para atendê-los? Sua opinião é considerada e estudada sem que haja ingerência? Vai fazer uma reunião com pais? Qual enfoque será dado? Qual abordagem inserir nessa conversa?
A metodologia e as ações didáticas estão alinhadas com a proposta da escola ou cada envolvido age em conformidade com suas ideias próprias, desconsiderando a engrenagem pedagógica da escola?
Como a escola vê as infrações cometidas pelos alunos e quais as sanções disciplinares previstas? As ações da escola acompanham os seus princípios de formação integral do estudante? As questões disciplinares são tratadas ou costumam passar sem a atenção dos profissionais? Há preocupação com o tratamento dos casos, visando a formação ética, emocional e social das crianças e adolescentes?
Como se faz o acompanhamento da produção escolar? Os materiais produzidos pelos alunos passam por avaliação? Há controle através de amostragens? A prática de assistir aulas é um recurso usado pela direção ou coordenação visando conhecer o “fazer pedagógico” da sala de aula e as ações da equipe? Há feedback frequente aos profissionais a partir das ocorrências cotidianas, visando aperfeiçoamento da equipe e fidelização à Proposta Pedagógica?
Há valorização da produção escolar dos alunos? Como se faz essa cobrança? Que incentivos são dados? Há preocupação em corrigir os materiais? Como isso é feito?
Como o erro é considerado? É visto como referência para o acerto? Uma boa escola costuma avaliar constantemente os erros e acertos promovendo reflexões, aprendendo, estudando os erros e comparando resultados.
Os planos de aula são elaborados e passam pelo acompanhamento da equipe gestora? Essa avaliação é vista como um caminho de ampliação do autoconhecimento pessoal e profissional dos envolvidos no processo?
Perguntas… Muitas perguntas… Onde andarão as respostas?
Ser uma boa escola é dar encaminhamento aos problemas, acolher críticas e aprender com elas.
Ser uma boa escola é aprimorar metodologias de trabalho dando condições para que o aluno reflita sobre o seu conhecimento e faça-o ter sentido e se encaixar em sua vida.
Ser uma boa escola é atuar para um melhor aproveitamento dos alunos agregando conhecimento e cultura ao cotidiano escolar.
Não há fórmulas mágicas para uma escola estar no caminho da excelência. O certo é que sem trabalho atento, acolhedor, reflexivo, insistente e inovador de todos os envolvidos no processo educacional não haverá colheita produtiva e nem safra generosa.
domingo, 9 de agosto de 2015
Um presente bem dado
No dia seguinte à comemoração do seu aniversário a menina Ana Júlia se empolga com um quebra-cabeças de duzentas peças que ganhara da vó Lena. Avós normalmente dão presentes adoráveis aos seus netos.
O dia estava frio e chuvoso, convidando todos para o recolhimento. Dia preguiçoso, roupas confortáveis, cobertor no sofá, colchão jogado no chão, conversa rolando solta, risadas escancaradas.
Cenário propício para uma boa reunião de família, desta vez sem a distração dos celulares, já que estavam todos num local sem rede, sem conexão.
Voltando ao presente da menina, ela e seu pai começaram a procura pelas peças numa tarefa que duraria algumas horas.
Sentada num canto comecei minha observação.
Na mesa do centro o desenho de uma cena começava a esboçar. Pai e filha começaram a separar as peças por cores, alternando entre preencher o jogo e agrupar as peças.
Após um tempo de tentativas, se afastam e de repente o quebra-cabeças chama a atenção de outra pessoa que senta, olha e começa a raciocinar na escolha das peças a serem colocadas. Um tempo ali quebrando a cabeça, várias peças encaixadas e uma pausa.
Mais um tempo e um grupo se volta ao quebra-cabeças. Olham a cena que estava sendo composta e começam a maquinar novas tentativas de encaixe. Avançam na colocação das peças e saem dando lugar a outras pessoas. Os encaixes eram feitos por pessoas de todas as idades indo das crianças aos idosos.
Assim sucederam muitas jogadas. Pessoas olhavam, encaixavam peças e saíam. E a cada jogada, novas peças davam origem à cena e a vontade de terminar ficou imensa.
A chuva continuava. Agora o grupo todo se juntou. E foi uma grande corrente de energia que reuniu todos num único objetivo. Como cada um tinha ajudado na construção do jogo, agora todos se sentiam responsáveis por concluir a tarefa.
Quando a última peça foi colocada, a vibração foi bonita de se ver. Gritos, risos, abraços. Uma única torcida em prol da realização final.
Fiquei observando, pensando e tirando dali muitas lições.
Primeiro, a lição da importância do brincar junto, da interação, da troca de experiências.
A segunda lição é do valor do trabalho em equipe. Quando um desistia, logo vinha outra pessoa e recomeçava o jogo. O jogo foi um elo que ligou a todos num único objetivo.
Outra lição foi a da importância do foco. Mesmo alguns tendo se dispersado, o jogo manteve-se ali, e ao passarem pela mesa a atenção voltava e com ela o desejo de terminar aquela história.
Fico a pensar que tudo isso só foi possível porque a vó Lena comprou um presente que permitiu toda essa interação e porque todos estavam distantes das redes, “em OFF para a tecnologia” e plugados apenas no interesse por terminar aquele jogo de quebra-cabeças.
Que nos cerquemos que momentos assim!!!
Rosângela Silva
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