sexta-feira, 17 de abril de 2020

Lições que eu já sabia antes do coronavírus;


Lições que eu já sabia antes  do coronavírus
Rosângela Silva

Lição 1- É preciso amar e respeitar a natureza- Nascida e criada na roça a natureza é sagrada pra mim. Onde encontro paz e acalento.  Lugar onde me reencontro e ressignifico meus valores. E agora longe da ferocidade humana em devastar, poluir,  extrair, a natureza se refaz em tantos lugares e de tantas formas....

Lição 2- É preciso consumir menos- Pra quê tanta gente correndo ao mercado e estocando produtos? Pra quê tantas pessoas ainda não entendam que a essência está do lado de dentro? Por que não se render ao fato de que há muita coisa que o dinheiro não compra? Nunca fui consumista, não sou deslumbrada por marcas, uso o que tenho até o seu fim , repito e reaproveito muita roupa. Talvez o momento esteja ensinando grandes lições.

Lição 3- É preciso poupar hoje para ter amanhã- Poupe, não gaste tudo que você ganha, faça uma poupança, tenha uma reserva... Dias difíceis poderão chegar... Lições que aprendi com meus pais.

Lição 4- É preciso repartir melhor as riquezas e bens produzidos.  A desigualdade sempre existirá e não dá para sonhar em igualdade num mundo tão diverso. Mas haveremos de lutar para diminuir os espaços entre as camadas sociais promovendo maior mobilidade social, especialmente para as pessoas menos favorecidas. Já 1908, Schumpeter dizia ”Ninguém dá importância ao pão pela quantidade de pão que existe num país ou no mundo, mas todos medem sua utilidade de acordo com a quantidade disponível para si, e isso, depende da quantidade total”.

Lição 5- E preciso educar emocionalmente as pessoas- As pessoas só dão aquilo que têm, e  elas têm aquilo que lhe foi ensinado, mostrado, reforçado... Sendo assim, não dá para pedir solidariedade a quem é egoísta, não dá pra esperar companheirismo a quem é egocêntrico, não dá pra esperar organização de quem é desorganizado, não dá para receber pontualidade de quem não lida bem com o seu tempo.
Em tempo de doença, guerra, escassez e economia queremos ver a solidariedade brotar e parece que está até frutificando, haja vista os inúmeros exemplos noticiados... No mundo não há tanta gente má como pensávamos.

Lição 6- É preciso estar atento à política – Estejamos atentos à essa ciência  que administra e organiza nações e estados. O poder, esse desejo de manter e ter a autoridade nas mãos é extremamente contagioso. Quem está no poder fará de tudo para ficar e quem não está, fará de tudo para entrar. Cuidado com o que você ouve, vê, acredita, expõe, defende. O tiro pode sair pela culatra.

Lição 7- Fumar é prejudicial à saúde!

Tenho certeza de que virão outras lições daqui uns dias.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

A "brincadeira" da rasteira


A "brincadeira" da rasteira
Rosângela Silva

Viralizou na internet nos últimos dias, vídeos em que dois amigos enganavam e passavam uma rasteira num terceiro colega. Isso acontecia muitas vezes em escolas, em suas próprias casas ou em encontros e festas. Há cenas de filhos fazendo isso também com suas mães. São cenas chocantes e de entristecer.
Atitude de muito mau gosto e que revela pouca empatia, muitos de nós, educadores, nos pusemos a refletir com nossos alunos sobre o fato.
Rapidamente as escolas reagiram e começaram  a trabalhar com a educação emocional dos estudantes. Os pais atentos e que acompanham de perto seus filhos também começaram um trabalho de orientação e conscientização. Assim, em paralelo à brincadeira, também viralizaram muitas ações contrárias, positivas, apelando para o companheirismo, para o cuidado com o outro, para as ações afetivas.
É verdade que há muito egoísmo, maldade, enganação, e literalmente “passadas de rasteira” em nossa vida cotidiana.
Quem não viveu uma passada de rasteira na vida, de amigos, de familiares, de colegas de trabalho, dos nossos governantes?
Tudo isso é preocupante, é grave, mas nem por isso, nós adultos emocionalmente saudáveis, conhecedores e praticantes das leis , saímos por aí dando o troco e exercitando o código de Hamurabi (olho por olho, dente por dente).
É verdade que prolifera na sociedade a lei do mais forte sobre o mais fraco, do mais rico sobre o mais pobre, daquele  que tem mais poder sobre o que não o tem. E é certo que há muita gente reagindo contra isso.
Quem consegue perceber isso nos noticiários e conversas cotidianos?
É verdade que há uma onda para que as minorias não sejam notadas, nem ouvidas. E é verdade que há muita gente trabalhando para reverter isso.
Eduquemos nossas crianças e suas famílias. Como escola,  não podemos fugir desse árduo compromisso.  Assim,  começamos por mudar nosso bairro, nossa comunidade, nossa cidade, convivendo e colhendo os frutos do nosso trabalho nos nossos arredores.
Sim, se todos trabalharem a cultura da paz, forjaremos seres humanos melhores, que estarão consequentemente praticando ações saudáveis no nosso entorno.
Trabalhemos para que assim seja!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Qual é o seu propósito?


Qual é  o seu propósito?
Rosângela Silva



 Em qualquer área da vida o propósito é aquilo que rege nossas ações. Propósito  é a intenção, o designo, a finalidade, o intuito que se tem antes de começar algo.
Como a especialidade aqui é falar de educação, o  foco da reflexão é olhar para os educadores e  escolas e promover pensamento quanto à coerência entre  seus propósitos  e suas realizações.
Em relação aos professores toda ação começa com pesquisa, estudo, busca, levantamento de dados, seleção de prioridades e planejamento. Não obrigatoriamente nesta ordem citada.
O que vou ensinar? Como vou ensinar? Que ferramentas  ou metodologias vou empregar nesta tarefa? Como  o aluno vai interagir com essa proposta? E como vou avaliar? Tenho elementos suficientes sobre a turma para iniciar tal tarefa? Preciso adaptar algo para algum aluno? Quantas aulas julgo suficientes para desenvolver essa programação? Tenho os materiais de apoio disponíveis para essa aula ou tenho que prepará-los?
A lista acima é pequena diante de tantas questões que envolvem o preparo de uma aula. Muitas aulas são desastrosas ou mal dadas porque o professor chega à sala sem propósitos definidos. E sem uma aula bem estrutura da ou sem saber o que  o professor espera dele, o estudante vai enveredando para outros centros de interesse.
Falando das escolas, o propósito é também importantíssimo para definir seu papel na sociedade e especialmente na comunidade em que atua.
Qual meu propósito? Que clientela atendo? O que buscam nesta unidade escolar? Quais seus valores?  Que pontos foram relevantes para a escolha feita pelo cliente? Como preparo minha equipe para atender essa clientela? Que combinados e limites estabeleço diante do grupo que atendo? Como mantenho o grupo que comprou meus serviços motivado, atuante e fixado  nesta escola? Fazemos qualquer negócio para a retenção do  cliente? Sigo uma linha de coerência entre meus serviços e aquilo que entrego? Como vendo meus serviços? Aceito todos os alunos ou faço seleção de perfil? Quero ser vista como escola tradicional ou contemporânea? Sigo as tendências educacionais por acreditar nelas ou para me equiparar ao concorrente?
De todas as questões levantadas aquela que pode abraçar todas as demais é a que responde sobre o propósito, pois com essa clareza  todo o gerenciamento do cotidiano deve girar na manutenção de coerência entre o que se propõe e como se atua.
Quantas escolas falando de afetividade, sem proximidade com os alunos?
Quantas divulgando aulas práticas, mas executando só as teóricas?
Quantas intitulando-se bilíngues, sem ser de fato?
Quantas valorizando o  protagonismo do aluno, mas centralizando a aprendizagem somente no professor?
Quantas inspirando-se nas  múltiplas inteligências,  mas exigindo do aluno apenas o conhecimento acadêmico?
Quantas falando em construção do conhecimento, sem dar oportunidade do aluno integrar o conhecimento do seu meio?
Quantas dizendo sobre a interação social operando diariamente com carteiras enfileiradas?
Quanta incoerência! Quanta falta de intencionalidade!
E aí, qual é mesmo o seu propósito?


segunda-feira, 8 de abril de 2019

Quando gira a maçaneta da porta


Quando gira a maçaneta da porta
Rosângela Silva

Quando a filha (poderia ser um filho)  avisa que vai sair um frio percorre toda minha coluna cervical e eu junto com uma imensidão de outros pais pensamos “hoje será uma daquelas noites mal dormidas e repleta de preocupação, sono picado, olhar preso ao celular, ligações para saber como eles estão por horas a fio.
A preocupação invade o coração e começamos com as boas vibrações, na certeza de que vão saber fazer boas escolhas e cercar-se de gente boa.
O mundo que nos rodeia está perigoso, repleto de gente egoísta, narcisista, preconceituosa e maldosa. As drogas comprometem o bom discernimento, as bebidas dão ousadia para ações que não aconteceriam em estado normal, a falta de respeito e empatia validam agressões. A valentia exigida pela sociedade não aceita levar desaforos para casa. A desvalorização das minorias permitem açoitar o outro com palavras, gestos e atitudes despudoradas.
Dito isso, quando eles retornam para casa sãos, salvos e cheios de aventuras para contar podemos abraçá-los e desacelerar nossos corações preocupados.
Damos atenção às suas experimentações e eles pouco percebem das “nossas grandes aventuras” que fazem o coração quase sair pela boca: levar a trupe para uma festa pela estrada de terra escorregadia com o  barro da chuva que acabava de cair a quilômetros da sua casa; ser parada por uma blits da polícia em plena madrugada só de pijama (não vestindo as peças íntimas), pegar a pista em plena madrugada guiada pelo GPS do celular, sair de casa às 4 e trinta da madrugada, percorrer as ruas desertas da cidade para pegá-los eufóricos numa festa do outro lado do mundo, receber o áudio de sua filha chorando nervosa por ter sido deixada pela carona e ter pego um motorista da uber que a aterrorizou junto com suas amigas, tendo que esperar horas para que chegassem sãs e salvas pela ação da polícia.
É temos que ter um coração bem forte, resiliente e amoroso. Por isso digo, quando gira a maçaneta da porta é puro alívio. A filha (O filho)  chegou em casa do passeio escolhido.
Quando gira a maçaneta da porta agradeço a Deus por ter trazido minha “eterna criança” ao aconchego do nosso lar.
Quando gira a maçaneta da porta pergunto se existem mães-pais que dormem despreocupadamente.
Quando gira a maçaneta da porta abraço e beijo mentalmente minha cria, meu maior tesouro.
Quando gira a maçaneta da porta meus medos e fantasmas dão trégua ao meu coração e à minha mente, mesmo que momentaneamente.
Quando gira a maçaneta da porta posso entregar-me ao sono profundo. Não sem antes, ainda permanecer alerta para ouvir suas narrações que, mesmo caindo de sono, escolho escutar para saber mais e mais da sua vida.
Agradeço que ela escolha me contar das suas vivências e eu possa opinar e aconselhar ciente de que confia em mim e aceita minhas censuras e orientações.
Agora então, boa  noite e bons sonhos para todos os pais aflitos. Semana que vem tem mais...




Somos modelos sim!


                                  Somos modelos sim!
                                          Rosângela Silva
Incrível como  vamos percebendo em pequenos detalhes como influenciamos as pessoas ao nosso redor, especialmente as crianças.
Da mesma forma que as observamos para as compreendermos melhor, elas em nós reparam para  também entenderem as nossas ações.
Elas nos observam, nos admiram, nos repetem...
Dias atrás quando dirigia para casa em companhia da minha filha, escutamos o barulho da sirene e era o carro do Corpo de bombeiros em disparada. Ela então, falou “ Deus abençoe, tomara que não tenha acontecido nada grave”. Fiquei muito surpresa,  pois essa fala sempre foi minha e agora ela também  faz uso dela.
Também tempos atrás fui no aniversário da minha sobrinha Kelryn. Acabei de chegar e ela perguntou: “__ Hoje tem textão, tia?”, referindo-se à minha mania de escrever algo para os aniversariantes da família. Mas o que me deixou mais feliz foi que em cima do bolo  estava a vela do seu batizado. Ela também aderiu ao meu ritual de colocar em cima do bolo, além da vela da idade, a vela do batismo. Uma tradição que faço desde o 1º ano da minha filha Raphaela.
Pequenos gestos e palavras reforçam que estamos sendo observados o tempo  todo. As crianças observam para compreenderem  o mundo ao seu redor e vão buscando respostas para as suas dúvidas e incompreensões nas pessoas mais próximas a elas.
E indo mais longe, torna-se preocupante o que as crianças estão colhendo em suas observações ... 
Que percepções estão captando em seu meio familiar?
Que respostas estão tendo quando observam sobre justiça, ética e verdade?
Que modelos estão copiando quando investigam a respeito de política, tecnologia e solidariedade?
Que reações têm obtido quando observam sobre o respeito às minorias, aos pedintes na rua e aos idosos?
Que ideias estão compartilhando sobre administração de conflitos, retomada e revisão de erros, capacidade de tolerância?
Lembremos: elas nos observam, nos admiram, nos repetem...



Filhos na estrada da vida


Filhos na estrada da vida
                                                          Rosângela Silva

O professor de reforço diz à mãe: “Seu filho é inteligente, capaz, mas está muito vadio”.
A mãe tinha duas escolhas: entender o vadio como uma ofensa e desqualificação do seu menino  e fazer um grande escândalo ou  chamar o filho para a conversa, reforçar o que o professor disse e cobrar dele para que deixe de vadiagem.
Ser vadio na fala do professor queria dizer que ele não se esforça, deixa tudo para depois, procrastina, não se dedica aos seus deveres.
A palavra do professor é forte, mas os pais precisam também ser fortes para aceitarem os defeitos dos seus filhos. Defeitos que podem ser momentâneos se foram tratados, mas poderão ficar crônicos, se forem negligenciados.
Não tomar os defeitos do filho para si, chocando-se e tentando oprimir quem quer lhe educar é um bom caminho para fortalecer hábitos saudáveis na educação dele.
Nesta situação creio que cabe à mãe associar-se ao professor e cobrar diariamente os esforços do filho.
Não “acoitadar” o filho, nem apequenar seus valores é um bom caminho para educá-lo.
Pais, mães, em nome da educação futura de seus filhos, parem de “mi-mi-mi”.
Pais, mães: parem de apoiar as faltas dos seus filhos.
Pais, mães: parem de dar colo quando  precisariam de rigor.
Pais, mães: parem de abraçá-los quando precisam de afastamento afetivo.
Pais, mães: parem de mimá-los quando precisam de repreensão.
Pais, mães: parem de apoiar as faltas dos seus filhos.
Ajudar os filhos a crescerem e enfrentarem os dissabores da vida, dá a eles suporte para encararem  os desafios , suportarem as frustrações e crescerem indivíduos mais saudáveis e aptos para caminharem pela estrada da vida.



quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

As crianças e suas percepções


                                              As crianças e suas percepções
                                                          Rosângela Silva
“__ Mãe, tem uma tia na minha escola que eu acho que é uma fada. Mãe ela tem os olhos coloridos e o cabelo prateado e ela anda assim...”

     Quanta responsabilidade temos com nossas crianças.
     Ao olharem para nós são capazes de lançar um raio X penetrante que capta nossos mais profundos segredos. Através desse poderoso raio X, elas sabem nosso estado de humor, conseguem perceber que emoção estamos irradiando, sentem nossa energia, medem nossa vontade de realização, entendem nosso cuidado com tudo aquilo que está em nosso entorno. Acredito que ao olharem para nós, elas são capazes até de desnudar a nossa alma.
     Quanta responsabilidade colocar um filho no mundo!
     Quanta responsabilidade escolher a profissão de professor (prefiro dizer educador)!
     Quanta responsabilidade aceitar trabalhar com crianças, seja em que função for!
     E é obrigação do educador, seja ele pai, mãe, professor, cuidador ou babá,  estar atento ao que provoca em seus educandos, cuidando de passar informações  positivas, corretas, justas através das suas falas, ações e gestos.
     Somos referência quando opinamos, quando fazemos expressões faciais ou corporais de aprovação ou reprovação a alguma situação cotidiana, quando nos indignamos com algum comportamento.
     Somos referência quando dominamos o conhecimento da nossa profissão, fazendo colocações interessantes e que levam o aluno a pensar e comungar daquele saber.
     Somos referência através do nosso jeito de advertir, de citar exemplos reais e esclarecedores,  de solucionar problemas.
     Somos referência através de uma fala afetiva, de um gesto inesperado, que surpreende e permite que o aluno amplie sua visão do mundo.
     Somos referência quando discordamos dos padrões impostos, quando trazemos assuntos polêmicos e atuais para a sala, quando conseguimos mostrar na vida, para que aquele conhecimento serve.
     Somos referência quando nos emocionamos, quando vibramos com alguma conquista  na turma, quando traduzimos em experiência concreta os temas a serem estudados.
     Somos referência quando dizemos “Você pode!”, “Isso ficou muito bom!”, “Vou fazer junto com você”, “Você é melhor do que isso”,“Eu mereço sua atenção agora”, “Estou com você”, “ Não admito isso!”, “Comigo você não faz assim”.
     Falas firmes, ações coerentes e justas , olhares penetrantes, gestos amorosos, carregados de afeto ou de indignação, se for necessário, mas que transmitem seriedade no trabalho, amor pelo alunos,  importância pelas propostas trazidas, tornam o professor uma referência ímpar.
     Sigamos com nossa tarefa de transformar o mundo, começando pela nossa casa, nossa rua, nossa escola.


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Que aulas vocês andam dando, professores?


Que aulas vocês andam dando, professores?

Rosângela Silva

Dia dos professores! Dia de comemorar a data e refletir sobre os papéis impostos a todos nós, profissionais da área da educação.

Há tempos a escola vem acumulando tarefas e funções, além das atribuições que lhe compete por princípio. Ao lidar com crianças e adolescentes, em tempos modernos,  muita coisa tem sido transferida para a escola, e responder  à  pergunta-título deste texto  é a  proposta desta reflexão.

Temos ensinado substantivo, verbo e advérbio, mas também dado aulas de moral e ética dados os repetidos conflitos que vivemos cotidianamente na sala de aula.

Temos ensinado os estados da água, misturas, eletrólise e transformações termodinâmicas,  mas também dado aulas de higiene, nutrição e saúde diante dos inúmeros casos de precariedade e falta de informação que muitos estudantes chegam na escola.

Temos ensinado álgebra, polinômios, equações e posições relativas entre duas retas, mas também como usar corretamente as redes sociais e o uso benéfico e  ético da internet, pois são gritantes os casos em que o mau uso, reverbera e chega na sala de aula em forma de desentendimentos, provocações e destratos.

Temos ensinado o período joanino, o primeiro e o segundo reinado, aspectos econômicos e humanos da América Latina, os nomes dos rios brasileiros, mas também ações empreendedoras, políticas e cidadãs, temas  que gritam na sala de aula e são negligenciados pela sociedade em geral.

Temos ensinado o significado de cultura, as escolas antropológicas, a diversidade cultural brasileira, mas também  sobre respeito, autonomia e sobre a cultura da paz.

Temos ensinado sobre glândulas endócrinas, as contrações do coração, o sistema simpático e parassimpático, mas também sobre autoconhecimento, como trabalhar em equipe e ter responsabilidade, diante da incômoda falta de amor e camaradagem entre os estudantes.

 Temos ensinado sobre densidade e pressão, teoremas de Pascal e Arquimedes, vasos comunicantes,  mas também sobre sexualidade, respeito ao seu corpo e ao corpo do outro, num ambiente coletivo em que as emoções e questionamentos borbulham e sobre os quais não devemos nos furtar.

Diante de tantas atribuições que o meio nos impõe é justo valorizar os professores e suas lutas,  é necessário enaltecer a sua imagem, é prudente colaborar com o seu trabalho e apoiar suas ações, é urgente devolver-lhes voz.

Salve! Salve professores! Operários e construtores da tão necessária EDUCACÃO, a única ARMA que realmente poderá mudar nosso país.

domingo, 7 de outubro de 2018

Eles sim? Eles não? Quem vai votar em nós?


Eles sim? Eles não? Quem vai votar em nós?
Rosângela Silva


Eleições à vista!
Nação dividida. Democraticamente cada um defendendo suas convicções e pontos de vista nas escolhas de seus candidatos.
As redes sociais fervilham em debates, críticas, pareceres, tentativas de convencimento. Dentre tudo isso, muitos passam dos limites, proferem, muitas vezes, comentários mal educados, equivocados. Encontramos pessoas se ofendendo, se digladiando como os antigos medievais.
Como já disse todos democraticamente defendendo suas convicções e pontos de vista.
Um Estado empobrecido por tantas roubalheiras, uma sociedade empobrecida com a falta de condições dignas de sobrevivência da sua população; famílias empobrecidas com a falta de educação e valores;  gente sem comida na mesa;  minorias gritando por espaço e dignidade; escolas podadas em seu papel de oferecer conhecimentos e ampliar a visão de seus alunos; professores  trabalhando em situação-limite diante do desrespeito, da fragilidade da instituição, da falta de parceria e apoio dos pais, dos governantes e da sociedade em geral.
E nós? Vamos cobrar mais DELES do que de NÓS mesmos?
Eles sim! Deveriam  e poderiam melhor nos representar, melhor nos cuidar, melhor nos honrar.
Eles não! Não deveriam assassinar nossa educação e cultura, usurpar nossos direitos de uma vida melhor, fingir cegueira diante de tantas mazelas.
Eles sim! Deveriam  oferecer seu melhor, cumprir as leis existentes e remodelar aquelas que perpetuam a violência e a impunidade.
Eles não! Não deveriam se furtar da responsabilidade de oferecer  hospitais e saúde pública dignos, não podem incitar a violência e disseminar o mal.
Eles sim! Deveriam  melhor  nos guiar, melhor nos respeitar, melhor encaminhar.
Eles não! Não poderiam  sucatear nosso país, rifar nossas riquezas e incendiar nossos museus.
Eles sim! Deveriam  brigar pela igualdade dos direitos,  ascender as condições das minorias, fortalecer os laços da nação.
Eles sim! Deveriam  dedicar seu tempo e posto para acolher nossas súplicas.
Eles não! Não poderiam  deixar o país por fazer, por construir, por acabar... Não poderiam  escandalizar a nação e fazê-la desacreditada por todos nós.
Não às desavenças e sim às amizades.
Não ao desrespeito e sim ao debate de ideias.
Não às imposições e sim à liberdade de opinião.
Não  à violência e sim à possibilidade de crítica.
Não ao extremismo e sim à visão ampla.
Não à divisão e sim à nação.
Eles sim? Eles não? Que eles votem em nós!!!






quinta-feira, 13 de setembro de 2018

É verdade esse “bilete”



É verdade esse “bilete”

Rosângela Silva


Viralizou na internet o bilhete do menino Gabriel Lucca de 5 anos anos, que numa mistura de esperteza com ingenuidade ou criatividade com inteligência, forjou o bilhete como sendo da sua professora Paula.
O desejo de faltar à aula e “ficar de boa” falou mais alto, e ele na sua inocência de criança foi deixando pistas da inverdade contida ali. O caso virou meme, piada, crítica social e política  e contagiou muita gente. Ele traz em si a oportunidade de falarmos sobre a verdade e a mentira na ótica das crianças.
Para clarear podemos usar os estudos de Piaget que  nos traz  um melhor entendimento sobre as fases da moralidade.
Piaget argumenta que o desenvolvimento da moral abrange três fases: a anomia, quando a moral não se coloca, nem se faz presente, sendo as ações da criança regidas pelas necessidades básicas, pois ainda não há consciência do que se é certo ou errado. Um pouco depois, por volta dos 9 – 10 anos de idade, o raciocínio é heteronômico, ou seja, a regra é levada muito a sério e com uma boa porção de inflexibilidade. No final vem a autonomia, quando se percebe que o respeito às regras é feito por meio de acordos e que as regras não devem mudar apenas para atender aos próprios anseios.

É bem verdade que muitos adultos, mesmo na fase da autonomia, ainda precisam ser cobrados tantas vezes.
É bem verdade que, mesmo na fase da autonomia, muitos os políticos desconhecem valores importantes para administrar nossas cidades, estados e país.
É bem verdade que, mesmo na fase da autonomia,  muitos profissionais mostram-se desatentos e irresponsáveis com suas tarefas.
É bem verdade que, mesmo na fase da autonomia, alguns pais e educadores também descumprem regras e quebram acordos.

Mas voltemos a falar das crianças... Pequenas e genuínas, elas  replicam os padrões da sociedade.
Elas buscam caminhos próprios para solucionar desafios e dificuldades.
Elas procuram saídas "mais fáceis" e ingênuas que, nós , com nossa “adultice”, já perdemos.
Elas encantam com sua simplicidade e nos ensinam sobre verdades que nós mesmos já esquecemos ou descremos.
Elas educam nossa consciência já corrompida pela contemporaneidade, quando nos surpreendem com suas falas especialíssimas.
Lidando com crianças devemos repensar nossas verdades e assumirmos a autenticidade que muitas vezes tentamos camuflar sobre nós mesmos, nossas vontades, nossas ideias e convicções.
A criança mente sim. Isso faz parte de uma fase de sua vida, em que está percebendo como o mundo funciona e quando ainda está absorvendo mecanismos para lidar com a vida social e o autoconhecimento.
A mentira passageira, criativa e até engraçada, dita por impulso torna-se inofensiva quando direcionada e orientada por um adulto lúcido e preparado.
A mentira repetida, com teor de maldade, criada com a intenção de prejudicar alguém precisa ser coibida e orientada com seriedade pelos educadores.
E creiam... É verdade esse bilhete!!

domingo, 1 de abril de 2018

Escolas: querem bons professores, mas não querem formá-los

Escolas: querem bons professores, mas não querem formá-los!

                                                                       Rosângela Silva


http://www.revistadavila.com.br/2018/03/escolas-bons-professores/

Um dos  maiores desafios das escolas é compor seu quadro docente com bons professores.
Falta qualificação desde a base, e não há avanços na hora da especialização profissional.  É fato que hoje os professores (e muitos outros profissionais) saem  das universidades muito malformados.
Mesmo após entrevistas e outras técnicas de seleção, chegam às escolas professores desconhecendo seu conteúdo, alheios às práticas pedagógicas adequadas, com pouca habilidade e pouco conhecimento sobre sua clientela, no que diz respeito às características físicas, psicológicas e emocionais.
Muitos gestores sobrecarregam-se com as questões burocráticas e falta tempo e disposição para a formação processual dos seus docentes.
Outros administradores, por praticidade,  preferem escolher professores “ prontos”, oriundos de escolas conceituadas ou com muito tempo de experiência.
Outros contentam-se com o que tem e seguem o seu cotidiano.
Dar conta da formação processual da uma equipe é tarefa árdua. Para que ela aconteça é necessário haver disposição do gestor e do professor. Muitas vezes o gestor tem boa vontade, mas o professor não se dispõe.  Outras vezes o professor tem sede de aprender, mas o gestor não o acompanha. Pior ainda é o fato dos dois acomodarem-se no conformismo da sua prática.
Certo é que, escolas bem sucedidas tem gestores atuantes na área pedagógica e não a negligenciam.
Algumas ações dos diretores de escolas, melhoram bem a atuação dos professores: dar conhecimento do  projeto político pedagógico da escola e fazer o acompanhamento das ações que o permeiam,  observar aulas, analisar o material didático dos alunos,  acompanhar os projetos idealizados pela escola ou pelo próprio professor, criar ações novas diante das queixas trazidas,  realizar reuniões por área de conhecimento para elaboração dos objetivos do grupo, avaliar frequentemente os resultados obtidos junto à equipe, tendo como base  o  Projeto político pedagógico,  entre outras ações.
Dar retornos frequentes, corrigindo rotas, retomando pontos falhos é essencial, mas para que isso aconteça é preciso haver diretores atentos ao cotidiano escolar.
Valorizar as iniciativas do professor, enaltecer seu protagonismo e “dar “ a autoria às suas ideias  e sugestões, também são atitudes que enaltecem e incentivam o desejo de superação por parte do docente.
O gestor dentro da escola (e o professor na sua sala de aula) tem enorme poder de mudança, de inovação, de criação, de ação. O que o diretor não pode é esperar pela formação e melhoria  da sua equipe de  braços cruzados, cegando-se nos processos administrativos para justificar o insucesso do seu time e o fracasso escolar de seus alunos.

Como lidar com os alunos retidos

Como lidar com os alunos retidos!

                                                              Rosângela Silva

http://www.revistadavila.com.br/2018/03/escolas-como-lidar-alunos-retidos/

Início de ano letivo. Os alunos voltam às salas de aulas. Professores recuperaram o fôlego e agora é hora de conhecer melhor sua clientela.
Hoje resolvi falar sobre os alunos retidos.
No começo do ano é muito importante identificá-los e olhar para eles com carinho e atenção.
Partindo do pressuposto de que a repetência foi o melhor caminho  para aquele aluno que rendeu pouco e não atingiu os mínimos objetivos, agora é hora de fazer um novo estudo de caso, dispensar o rótulo  e direcionar melhor seus estudos.
Primeiramente esse aluno deve voltar à escola mais amadurecido e disposto a mudar suas estratégias de estudo e envolvimento com a escola.
É muito importante que as escolas levantem esses alunos, começando por chamá-los para conversar, orientar  e traçar um plano junto com eles, que precisam estar cientes de que podem mudar e que seus professores acreditam em seu potencial.
Se a escola e sua equipe de professores despertarem nele a possibilidade de melhora e partir para os incentivos e ganhos, em vez de ficarem apontando as falhas do ano anterior, pode ser que ele reaja positivamente, passando a acreditar mais em si.
Chamar a família para conversar também é um ponto a favor de um ano letivo renovado e apostando  no reforçamento da parceria.
Agora, se a escola continuar olhando para ele com o mesmo olhar, tudo começa igual, sem novas perspectivas , sem novo projeto, sem novo desafio.
A escola  faz parte de um pedaço da vida da pessoa, no qual  formam-se os valores e amplia-se o conhecimento  do mundo, através de atividades previamente preparadas por profissionais qualificados para  que essa aprendizagem ocorra de forma organizada e interessante.
Alguns alunos apresentam dificuldades para aprender, seja por motivos biológicos, psíquicos, emocionais ou neurológicos. Há também aqueles que chegam à escola com hábitos ruins como procrastinação, preguiça, pouco esforçado, querendo tudo pronto,  sem curiosidade  e hábito de estudo.
Cada caso vai requerer olhares e ações diferenciadas para que o aluno seja atendido sem seu potencial máximo. Alunos aprendem de formas, velocidades e sequências  diferentes.
Alunos se formam nos bancos escolares, eles não chegam prontos, se lhes faltam pré-requisitos , precisamos buscá-los e não ficar culpando a família, o aluno, a escola anterior em que estudou.
Trabalhar com aluno bom é fácil. Algumas se dão ao luxo de recrutar só os melhores, os que lhes darão boa posição no ranking dos vestibulares.
Boa de verdade  é a escola que cria recursos e não desiste dos alunos difíceis. Que tem uma equipe que pesquisa e investiga meios de ajudar os alunos com dificuldades de aprendizagem. E ainda consegue manter um padrão de qualidade para todos os demais que têm a mente brilhante e aprendem facilmente.
Início do ano. Mãos à obra!  À nossa mais grandiosa obra: criar indivíduos melhores e mais capazes dia a dia, independente da sua condição.

Os excessos da geração atual

Os excessos da geração atual

                                                                     Rosângela Silva
http://www.revistadavila.com.br/2018/03/os-excessos-da-geracao-atual/

Educadores vivem intrigados com a formação das nossas crianças e adolescentes no que diz respeito aos excessos e falta de limites.
Segundo o professor e pesquisador Kim Payne existem quatro grandes excessos a que eles estão submetidos nos dias atuais: excesso de coisas, opções, de informações e de rapidez.
 Inspirada nos estudos do  professor, escrevo este artigo.
Sim, eles (crianças e adolescentes) têm muitas coisas: brinquedos, roupas, calçados, games, aparelhos tecnológicos, materiais escolares, mochilas etc

Se perdem no consumismo, no conceito equivocado de felicidade.

E tendo tantas coisas, podem não aprender a decidir, sentir-se  errados nas escolhas, sentir tristeza por não saberem escolher.
Sim,  eles tem muitas opções. Para que não se frustrem, não se chateiem, não se decepcionem, os pais e educadores colocam à disposição um leque de opções. E elas são tantas que eles ficam nervosos, ansiosos porque não querem errar, querem ter seus desejos atendidos  e diante de tantos caminhos apresentam dificuldade de pesar os prós e contras.
Sim, eles têm muitas informações. As fontes tecnológicas cumprem sua função,  porém nem sempre estão prontos para digerir todas elas. Muitas vezes não têm maturidade, outras vezes não têm a base intelectual preparada para agregar o novo conceito, muitas vezes chocam-se com o que chega e confundem o real com o virtual.
Os pais acabam por preencher o tempo de seus filhos com mais informações nos cursos extraescolares.
 Informações demais, conhecimento de menos, pois não há solidificação, há superficialidade.
Sim, eles vivem em excesso de rapidez.  O mundo está rápido. A sociedade cobra agilidade em tudo. Os pais acompanham essa exigência e a transferem aos filhos. Falta tempo para brincar, para usufruir de tempo livre, para criar, para inventar.
A frase “Menos é mais” nunca me pareceu tão adequada.
Tendo menos coisas, podem usar melhor seus brinquedos, exercitar combinações de roupas,  explorar de forma mais preciosa os materiais que possuem.
Tendo menos opções serão levados a primar pelas boas escolhas, sofrer menos diante das possibilidades, pensar com mais cuidado antes de decidir.
Tendo menos informações poderão mergulhar com mais precisão e profundidade naqueles conceitos.
Tendo menos pressa poderão degustar, saborear e aproveitar melhor as suas experiências.
Sigamos cientes de que devemos ensinar nossas crianças e adolescentes a usufruir do poder da leveza e da simplicidade.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Futebol: o jogo das vaidades

Texto publicado pela Revista D'Ávila
http://www.revistadavila.com.br/2018/02/futebol-o-jogo-das-vaidades/
                                               

                                                        

                                 Futebol: o jogo das vaidades


                                                                                Rosângela Silva
Tenho acompanhado a saga de alguns pequenos atletas em busca de reconhecimento e um lugar de destaque nos times de futebol infantis. Eles jogam, treinam, confiam nas palavras dos pais, seguem seus incentivos, se dedicam e sonham com a fama e a riqueza vindas dos campos de futebol.

Alguns pais apostam todas as suas fichas nos pequenos jogadores,  investem tempo e dinheiro na crença de que serão atletas famosos e viverão de futebol.

Nos campos os pais gritam, incentivam, brigam, inflam o ego e fica muito difícil ver o filho perder, ser substituído, ser cortado, ser comparado. Afinal o sonho do filho foi por eles semeado  e é também o seu sonho.
Nesse jogo, os pequenos são desafiados pelo desgaste, pelo despreparo físico, pela torcida, pelas frustrações,  pela família, pelos treinadores, pelos dirigentes dos clubes.
Treinadores não gostam de críticas, não se submetem ao julgamento dos pais, da mídia ou da torcida. E poderiam? E deveriam? Sim, deveriam estar preparados, pois ao se falar de futebol todos os torcedores são um pouco treinadores e críticos.
Se o treinador acerta o time, ganha, o ego infla. Se perde,  é questionado e o ego murcha. E vem as cobranças.
Pior fica, quando,  ao ser criticado,   mostra seu poder de técnico-treinador, com falta de critério e didática,  fazendo represálias ao jogador, deixando-o no banco, cortando dos jogos. Difícil julgar isso.
É certo que às vezes os pais se equivocam. É certo que às vezes a frustração dói. É certo que, por vezes,  as cobranças são injustas. É certo que, às vezes, o investimento dá retorno.
Dirigentes de clubes querem resultados, renda, querem valorizar os passes dos seus jogadores, querem lucros, querem seus alunos passando nas tenebrosas “peneiras”. Querem o clube no topo dos pódios,  lustrando  seu ego.
Inspirados por seus ídolos famosos, os pequenos aprendizes, adquirem as manhas do jogo, dos dribles, dos falsetes, das reclamações.
Também aprendem sobre o futebol-arte, sobre como encantar a torcida. Sobre como ser embaixador das ações positivas.
Podemos dizer que os campos e quadras são espaços  que representam e imitam a vida.
E nesse jogo de vaidades, nossos pequenos sonhadores precisam aprender a viver, especialmente até conseguirem responder a questão: Quanto vale o passe da humildade?